Eu. Eu adoro o sol. Não ficar debaixo dele, torrando. Eu gosto dele lá, bem clarinho desde 6 horas da manhã até 6 da tarde. E eu adoro verão. Descobri isso recentemente, mas contarei em outro post. Enfim, com a velhice vai chegando uma fase da vida na qual verão não significa mais férias, muito menos viajar, praia… Há apenas um continuum de tarefas, trabalho e vida na cidade. Eu amo vida na cidade, mas sonhar com praias de vez em quando é bom. Não pela praia em si, mas pelo clima de praia, que deve ser igual ao clima de férias.
Neste carnaval, após muitos anos, vou fazer uma pequena viagem, a única deste verão. E assim resolvo começar um novo projeto: postar uma playlist pelo menos a cada duas semanas, sempre com um tema diferente. Essa aqui vai com verão.
Se descobertas musicais me fazem realmente mudar de humor e ver o mundo com novos olhos, de uma maneira otimista e com aquela sensação de que o céu é o limite, uma decepção me deixa, ao contrário, bem mal. O sentimento é algo como uma traição – e dizem que mulher traída é algo que você não quer ver.
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Era uma vez uma pessoa que curtia de verdade Coldplay. As melodias meio tristes apoiadas no piano e na voz na maioria das vezes aguda do Chris Martin. E as letras. As letras como o centro de tudo, instrospectivas e por isso mesmo falando tanto com sentimentos pessoais. Aí acabou.
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Desde o Viva la Vida as mudanças foram significativas, mas eu confesso que este deve ter sido um dos álbuns que mais escutei na vida. De verdade eu gosto muito dele, apesar de já nele muita gente ter torcido o nariz. Mas apesar de algumas letras meio sem pé nem cabeça (como a própria “Viva…”), existem outras como “Lost” – que pelo menos a mim sempre disse muito.
Aí o Coldplay bateu o martelo e disse: “É isso, vamos ser U2.”
Em entrevista recente eles estavam aí falando como passaram a compor pensando nos shows em grandes estádios, nos jogos de luz, na performance. Como já disse por aqui, acredito que música deva ser sincera. (Tá, isso parece enólogo descrevendo vinho como “com gosto dos bosques e aroma outonal”, mas acho que dá para entender.) Se ela precisa de toda essa parafernalha que envolve grandes shows para ser completa, então aquela não é uma boa música. A performance, o ver ao vivo, deve ser uma experiência diferente, não necessária para que a música seja apreciada. A sensação que me ficou foi a de que o que está sendo composto é uma trilha sonora para um grande espetáculo, ou seja, o principal, o que interessa, não são as canções, que acabam ficando num segundo plano. Isso de certa forma explicaria o descuido nas letras, que chegaram num vazio “I put my records on”.
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Desde a minha adolescência não tenho grandes ídolos e nunca espero que um artista que eu admiro sempre me agrade. No entanto, não dá pra não ficar decepcionada quando uma banda que sempre dizia tanto para e sobre você mesma abraçam um discurso como esse. A música deles, então, diz agora sobre quem? Porque não me parece que diga algo sobre nem eles mesmos.
E vamos lembrar de “Yellow”, do primeiro álbum, e que funciona tão bem ao vivo. Sem precisar ser composta para esse fim.
Eu sempre tinha visto e ouvido os Beach Boys com nariz torcido. Via as músicas como bonitinhas mas bobas, algo em plena década de 60 que não falava de nada do que estava acontecendo e tentava preservar um mundo ensolarado e colorido, sem problemas.
Aí eu mudei radicalmente de opinião.
Acho que o que mudou foi a minha visão sobre essa inocência. Ao contrário do que achava antes, essa idéia de preservar, de se manter agarrado à inocência e à simplicidade do mundo, não é nada deplorável. Afinal de contas, quantos adultos ou jovem adultos (essa nova categoria/faixa etária surgida nos últimos anos) não vivem falando por aí que têm uma síndrome de Peter Pan? E quem não ouviu constantemente dos pais, quando era pequeno e dizia que queria ser logo adulto pra poder fazer tudo o que quisesse, que não tínhamos idéia do quão bom era ser criança?
Aliás, “Wouldn’t it be nice”, a música que abre o fantástico Pet Sounds, é justamente isso: a ânsia de ser mais velho e poder sair sozinho, se encontrar com o/a namorado/a.
A verdade é que eu ouço essas músicas com um pesar no coração. Eu fico triste mesmo, apesar de sempre ter achado The Beach Boys uma das bandas mais felizes de todos os tempos. Mas é justamente por eles cantarem sobre um sentimento e uma época em que parecia que tudo era possível – se formos pensar numa época da história, os anos 60, mas mais do que isso, a adolescência de cada um, quando tudo está tão aberto e se apresenta de maneira tão possível. Eles conseguiram escrever letras que não parecem bobas como tantas coisas que vemos sobre a adolescência (tão mal compreendida e estereotipada na maioria das vezes), mas que conseguem expressar todas as dúvidas e incertezas, o final da inocência. E junto com essas letras, melodias tão bonitas que mudam para lá e para cá e os melhores arranjos de vozes do rock.
Se os Beach Boys são o grupo com as músicas para praia e verão e férias, as músicas do Pet Sounds são como aquelas últimas férias antes de você ir de encontro às responsabilidades, às escolhas, ao mundo real.
Desde que eu tinha uns dez anos escuto Beatles conscientemente, o que quer dizer que conheço as músicas e sei que elas são de uma banda chamada The Beatles e que esta foi – e ainda é – muito importante para a história da música em geral. Não demorou muito para que eu amasse a banda.
Eu curtia John Lennon indiscutivelmente (ainda curto), mas os outros ficavam meio obscuros pra mim. Com o passar do tempo, lendo daqui e dali, vendo vídeos, reportagens, enfim, “absorvendo”, como se diz, o que estava por aí acessível para mim, comecei a saber um pouco mais dos outros Beatles.
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Nos últimos tempos Paul McCartney resolveu que iria lotar uns estádios durante algumas noites brasileiras. Nós, que sempre fomos esquecidos pelas grandes bandas em suas turnês, teríamos a chance de ver um beatle, um ícone, uma lenda. E como meu amor pelos Beatles é de certa maneira conhecido, algumas pessoas vieram em toda sua empolgação me contar que iriam/tinham ido ver o Sir. Dependendo da pessoa, eu respondia “-Nossa, que legal” ou simplesmente “-Argh, detesto o Paul” – recebendo em troca um olhar estupefato, os olhos mal se contendo nas órbitas.
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Enquanto minha admiração pelo John Lennon só crescia, eu ainda aprendia cada vez mais sobre George Harrison (concluindo facilmente que ele era o mais inovador musicalmente da banda), enquanto Ringo Starr caía num limbo do “whatever” e o Paul ganhava minha antipatia.
É difícil explicar, porque envolve não gostar dele como pessoa, não como músico. Vamos lá: nunca achei que a culpa da separação dos Beatles fosse da Yoko ou do John por a ter levado. Vendo documentários e falas deles mesmos e, claro, a vida profissional pós-Beatles de cada um, eu percebo uma diferença muito grande entre eles, sobretudo entre John e Paul. Enquanto John era o rebelde, criado em condições difíceis e disposto a usar sua posição para protestar e se envolver em causas políticas e sociais, Paul era aquele menino criado na tradicional família inglesa, certinho, um cara dos eventos oficiais, um Sir. E eu sou uma pessoa que defende arduamente o engajamento.
Mas não é só isso. É notável como documentários normalmente deixam bem clara a mensagem: “- John era um encrenqueiro e foi Paul quem tirou os Beatles do Iê-iê-iê e os conduziu para uma outra fase bem mais profunda”. Bem… McCartney compôs “Yesterday” (uma das minhas preferidas), a primeira música diferente da banda. Ok. E escreveu várias outras que eu tenho como minhas preferidas. Mas só porque pode ter sido ele a dar o primeiro passo em uma direção diferente vamos ignorar todas as contribuições de John e George? Foi John quem nos deu músicas como “You’ve got to hide your love away”, “Norwegian Wood”, “Lucy n the sky with diamonds”, “I am the walrus”, “Across the universe”, “Strawberry fields forever” e “Nowhere man”, que está na idéia do próprio título deste blog. George, por sua parte, é responsável por algumas das mais belas canções dos Beatles como “Here comes the sun”, “Something” e “While my guitar gently weeps”. Além disso, foi George quem levou a cítara e toda a influência hindu.
Não nego (é bom repetir) a importância do Paul. O cara estava prestando atenção no que acontecia no mundo da música. É dito que o Sgt. Peppers (considerado um dos álbums mais importantes da história) é uma resposta ao Pet Sounds dos Beach Boys, um disco que certamente é bastante bem elaborado. Mas…
Se a vida pós-Beatles de Paul continua se apoiando em shows com 80% do repertório composto de sua época de ouro, John por exemplo é lembrado por uma tracklist sua e de muita relevância: “Mind Games”, “Mother”, “Jealous guy”, “Imagine”, “Merry Christmas”, “Working class hero”, “Give Peace a chance”. George tem o All Things Must Pass, também um álbum de destaque, promoveu o Concert for Bangladesh e teve seus projetos tais como o Traveling Wilburys (uma reunião de músicos fantástica!).
Para concluir, em resumo, porque não curto Paul McCartney: ele representa o correto, com esses hábitos de bom moço, de fazer aquilo que se espera, de ser popular ao invés de desafiador. Tem belíssimas canções que certamente caíram no gosto de todos, mas não vejo como é tão estrondoso ter sido o primeiros dos garotos de Liverpool a pensar em mais do que em 3 acordes simples, enquanto outros levaram isso muito mais longe.
*Ao som de The Beatles – Do You Want to Know a Secret?
Eu já disse por aqui que eu curto usar óculos. E eu uso óculos grandes, vermelhos, armação grossa. Escondem bastante a cara. Há tempos, no entanto, deixei de pensar nos óculos como um indicador para pessoas que lêem/estudam muito, que passam muito tempo jogando video-games… Quero dizer, pra mim ter óculos de grau na cara passa longe de estar relacionado com nerdice (algo que nem vou comentar, mas já é algo que não tem muito mais um significado).
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Hoje estava eu cumprindo meu projeto de ano novo do ano passado: fui a aulas de legislação. Comecei esta semana, então tinha feito só algumas poucas horas e hoje era dia de enfrentar cinco horas de simulados. Enfim, o fato é que depois de tentar resolver dois deles, eu já havia passado bastante tempo lendo coisas naquele caderninho maléfico, assim que ao terceiro eu consegui acertar 22 de 30, o que significaria vitória minha sobre o DETRAN. Mas ok, não estava pensando nisso (não sei no que estava pensando – estava pensando?), mas eis que um outro aluno pergunta meu resultado e diz:
- Também, né. Nerd!
Agora, vamos pensar. POR QUÊ? Porque eu sinceramente fiquei sem entender. Nunca conversei com a pessoa, que não sabe nem meu nome, o que eu faço, de onde venho, de que família eu sou… muito menos se estudo, quanto estudo. E de repente vem com essa afirmação assim, sem um pingo de dúvida. Minha reação normal em situações como essa, claro, é o estado de choque, que consiste em: dar uma risada sem graça, me abster de emitir qualquer comentário e voltar às atividades com uma feição que demonstra normalidade para quem observa, mas que na verdade esconde um emaranhado de pensamentos confusos. E eu fiquei lá pensando o que da minha aparência (porque só podia ser questão de aparência) transmitia “nerd”.
E aí eu lembrei. Óculos. Desde tempos imemoriais os óculos são acessório fundamental para retratar aquele(a) não popular, que é desligado da aparência em favor de atividades como ler quadrinhos, livros de não-ficção ou de ficção científica (que podem ser considerados por alguns como não-ficção, já que seriam a realidade do futuro), jogar xadrez, etc. Também serve para aqueles que não curtem (nem são bons em) esportes e sofrem de alergias. Geralmente tais pessoas tiram boas notas.
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Como Peter Pfeiffer, melhor amigo de Kevin Arnold na série “Anos Incríveis”, bem colocou num dos primeiros episódios, eles estavam perdendo Winnie para os cool kids e era tudo porque ela tinha passado para as lentes de contato.
*Ao som de Joe Cocker – With a Little Help From My Friends
Outro dia me deparei com uma historinha sobre a gravação de “Smells like teen spirit”, do Nirvana. Kurt Cobain teria ficado extremamente irritado por não conseguir tocar ao vivo com a banda e acabou tendo que gravar sua introdução separadamente.
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Nos últimos dias investi meu tempo na educação musical. E então cheguei a um filme documentário chamado “It might get loud” bastante interessante que reúne três músicos guitarristas: The Edge, Jack White e Jimmy Page (em crescendo).
O filme, que se propõe como tema a guitarra, traz entrevistas com cada um dos caras separadamente e todos eles reunidos contando suas histórias com o instrumento e a música – e tocando. Quando li sobre o documentário fiquei absolutamente sem entender as escolhas desses caras (bem, não do Jimmy Page), afinal de contas nunca vi reparei na habilidade dos outros (especialmente The Edge) coma guitarra. Mas na minha opinião o interessante de verdade nem é a guitarra, mas a formação de cada um e as idéias tão diferentes sobre como fazer música.
Devo dizer de cara que Jack White mudou muito para mim depois do filme. Antes acho que não prestava muita atenção nele ou nas músicas, apesar de ouvir The White Stripes. Estava ouvindo música de maneira diferente da que passei a ouvir nos últimos dias. De qualquer maneira, Jack White colocou coisas interessantíssimas em suas falas e elas colidem estrondosamente com as idéia de The Edge (o do gorrinho do U2).
Enquanto The Edge (aliás, que nome artístico, hein) mergulha na tecnologia, Jack White a abomina. E aí lembrei do Kurt Cobain e sua introdução. E lembrei dos Beatles sobre seus álbums mais elaborados, quando já não faziam shows e eram uma banda de estúdio. O estúdio realmente proporciona muitas possibilidades, muito espaço para criar coisas novas, diferentes, para experimentar novos sons… Mas pensando no Nirvana, por exemplo, até que ponto aquela música existe? (Quase caí de costas, porque o Jack White faz a mesma pergunta.) Bem, eu sei que a gravação está lá, mas não é possível reproduzi-la ao vivo, por exemplo.
Fiquei pensando que talvez pessoas que eu admire musicalmente na verdade não são tão habilidosas assim – mas por outro lado, ela compôs aquilo de alguma forma, pensou nos sons e correu atrás da forma de produzi-lo, ainda que por computador, pedais ou regravando aquele riff. The Edge, por exemplo, mostra como um de seus riffs tem apenas dois acordes simples e que tocado num violão acústico não soa nem de longe como quando vestido com os efeitos produzidos pelo seu pedal. Então a pergunta que fica é: a habilidade com o instrumento vale o mesmo que a habilidade com os aparatos tecnológicos?
Bem, particularmente eu não consigo sentir a mesma emoção com um som produzido por computadores. Tenho a sensação de que há muita coisa entre a música e eu, entre a música e o próprio compositor. No final das contas, de verdade mesmo, eu sou uma pessoa do acústico. É claro que eu gosto de guitarras e alguns efeitos de som, mas quando se nota que aquilo não está sendo tocado mesmo, meio que perco a graça. Eu gosto de pensar que eu posso escutar uma versão igualmente estonteante da música se o cara descer da parafernália tecnológica. Acho que é mais sincero.
De repente parece que virou moda falar que odeia Natal. Todo mundo detesta. Todo mundo acha que é época de falsidade, de conversar com quem você não gosta cheio de meios sorrisos.
Na minha opinião, ninguém te obriga a ser falso, nem deus, nem Jesus, por mais cristão que você seja. Se você segue as premissas de amor do cristianismo, ótimo. Mas acredito que quem realmente o faz, é assim o ano inteiro, o tempo todo, e quem faz um esforço tão enorme pra arredar os cantos dos lábios pros lados das orelhas à medida que o dia 25 de dezembro vai chegando… Bem, essa pessoa não é assim tão religiosa, ou talvez tenha uma idéia um pouco diferente do que é sua própria fé.
Mas não estou aqui pra falar sobre seguir desta ou daquela maneira o cristianismo. Como já deu pra perceber pelos vários posts deste mês, eu curto o Natal. E acho que é desnecessário dizer, mas estou longe de ser religiosa, muito menos cristã. É verdade, fui criada no na Igreja Católica. Fui batizada, freqüentava a missa todos os domingos, coroava todos os maios, acompanhava as procissões da semana santa e fiz primeira comunhão. Nada disso obrigada, sempre fui com gosto – só não sei se por fé também, já que eu era pequena. Fui assim até por volta dos 11 ou 12 anos. Eu lembro de começar a ler “As Brumas de Avalon” e a mudança que isso me provocou. Foi desde então que passei a ver essa Igreja entidade, a tomar conhecimento da existência de outras religiões e a perceber que nenhuma delas era menos válida que outra, que todas tinham sua lógica interna e que os seguidores tanto de uma quanto de outra poderiam ser extremistas ou pacifistas. O que eu quero dizer é que não sou contra religiões, elas podem ser bonitas tomando o devido cuidado.
Voltando ao assunto: eu gosto do Natal. E não porque é uma celebração religiosa cristã (é, vamos lembrar que as datas mais importantes do calendário cristão - páscoa e natal – são uma mistureba com religiões pagãs). O Natal para mim não significa comemorar o nascimento do menino Jesus, Maria dando a luz no estábulo ou os três reis magos vendo a estrela guia e trazendo seus presentes. Eu sempre vi o Natal como uma época de estar com a família, com quem você ama, com quem é importante. É época de presentear (e já disse aí no outro post o que eu penso dos presentes), de pensar nos outros, de pensar um pouco mais sobre você mesmo… E você pdoe argumentar que isso pode ser feito em qualquer época do ano. Sim, também acho. Mas o fato de que fazemos (ou pelo menos eu faço) nesta época, agora, não torna tudo isso menos válido. É bom que ainda exista este período em que tanta gente ainda tome este tempo para tais coisas, seja em que mês for.
Então aí está porque eu gosto de Natal: as pessoas estão mais dispostas a ser gentis, tomamos tempo pra família, pra estar junto, pra experimentar receitas, decorar a casa, para escrever um cartão, mandar uma mensagem para alguém distante ou que não vemos há tempo e nos falta a desculpa pra mandar um “oi”, pra sair na busca de um presente pra agradar quem a gente gosta. Enfim, a gente fica ansioso pra demonstrar o amor.
Outro dia estava numa dessas confraternizações de fim de ano e sempre tem aquele momento em que um pega o microfone pra passar aquela mensagem que supostamente vai fazer você refletir bastante e mudar sua maneira de pensar pra sempre – ou pelo menos vai te levar a pensar a mudar a maneira de pensar. Quando a situação em questão é num entorno religioso, então a pretensão de uma mensagem profunda é ainda maior.
Nesta semana o que escutei foi uma idéia sobre o presente, o Natal e, claro, sobre o presente de Natal. A pessoa listou três motivos pelos quais gostamos de ganhar presente: 1) nos faz feliz (bem, achei isso um tanto quanto genérico, né), 2) nos satisfaz uma necessidade e 3) nos sentimos amados. Para todos os motivos, no entanto, o cara colocava uma razão do porque aquilo não era duradouro: a felicidade passa, a necessidade passa, se a pessoa não nos dá todo Natal um presente igual ou melhor, quer dizer que ela deixou de nos querer. Claro, ele terminou falando que o grande presente de Natal que temos que comemorar todos os anos é o presente de deus, que nos deu seu filho e tal.
Eu discordei de tudo e fiquei pensando porque eu gosto de presentes. Ganhar presente é legal mesmo por às vezes ser algo que queríamos muito e não tínhamos como comprar/conseguir, ou por ser uma coisa legal na qual nunca tínhamos pensado… Mas eu gosto de ganhar presentes não por causa do presente em si, mas por causa da pessoa. Eu fico pensando que aquela pessoa saiu do seu caminho pra ir me fazer um agrado, ou que ela viu algo na prateleira e se lembrou de mim, que ela estava disposta a me dar um pouco do tempo dela, lembrando de mim. E isso eu acho legal. Muito legal. E se no ano que vem não tiver mais presente daquela pessoa, não tem problema. As pessoas não têm que ficar grudadas para sempre umas às outras e o fato de que hoje uma amizade não existe mais ou existe em menor intensidade não quer dizer que o que aconteceu antes é menos válido.
E por fim eu pensei que sim, gosto de ganhar presentes, mas eu também acho legal (e talvez mais legal ainda) dar um presente. E talvez eu não seja a melhor pessoa do mundo para escolher algo para outra ou para escrever cartões, mas eu gosto de preparar e gosto de saber que acertei e que se não dei um super presente, pelo menos fiz uma alegriazinha pra outra. Porque presentes são para aqueles que a gente gosta e eu gosto de ver as pessoas queridas alegres.
Enfim, talvez soe brega, mas é o que eu acho sobre presentes.
*Ao som de Onda Vaga – Ir al Baile
P.S.: A saga final da maratona de filmes de Natal ainda sairá, I promise.
Outro dia estava lendo algumas coisas aleatórias na internet (especialmente este blog, do qual li quase tudo) e percebi como tem gente que admira muito uma pessoa – cantor/a, ator/atriz, diretor/a e por aí vai – e toma pra si a própria pessoa, admitindo querendo ser ou pensar muito igual àquele/a a quem admira.
Fiquei pensando que isso foi basicamente uma característica da minha adolescência, mas mesmo assim não sei se cheguei a ser completamente fã de ninguém. Eu admirava David Bowie, Tilo Wolf, Nicole Kidman (é, ela passava por uma boa época), citando aleatoriamente. Mas eu nunca afundei totalmente num artista a ponto de saber tudo sobre ele, discografia de cor e salteado, diálogos inteiros de filmes, detalhes da carreira ou mesmo da vida. Mas é verdade que eu admirava, ou pelo menos queria muito admirar e eleger uma pessoa com a qual eu me identificasse. Os defeitos não existiam.
E por mais que seja problemático pensar assim, ou seja, que alguém está livre de falhas, hoje eu acho que é bonito o fato de por um momento querermos enxergar apenas as coisas boas. É raro. Pelo menos agora. Com o passar do tempo não sei bem pelo que passamos que nos faz ver o outro com todos os seus problemas. Isso pode ser um problema quando não passamos a admirar mais ninguém, quando se vai com um pé atrás com todos porque já esperamos uma decepção pelo caminho. Mas também pode ser válido na medida que passamos a enxergar a humanidade de cada um. Talvez. Afinal de contas existem coisas muito legais criadas por meros mortais, tão falhos quanto qualquer outro ou como nós mesmos. Talvez isso torne a admiração maior, embora diferente.
Mas também depende se você está tendo um dia pessimista ou otimista.
*Ao som de The Velet Underground – I Found a Reason
O título é só porque essa porcaria está na minha cabeça já que todas as lojas estão tocando isso. É impressionante. TODAS as lojas que eu entrei. E olha que no Brasil sempre tivemos a tradição insuportável de só ouvir “Então é Natal” by Simone. Mas enfim.
Maratona de filmes de Natal!
(Parte 3)
Raras são as continuações que valem a pena, não é? Não estou levando em consideração filmes que simplesmente têm sua história dividida em mais partes (“Senhor dos Anéis”, “Harry Potter”…), mas somente aqueles que tiveram uma continuação inicialmente não planejada. Bem, “Home Alone 2: Lost in New York” (1992) é uma continuação legal. Mas assim, é mais do que você espera de uma continuação, poderia ter feito sucesso como filme independente da franquia, mas não é lá graaaande coisa. Eu acho. E principalmente porque eu acho que exageraram nas partes cômicas (sabe aquela coisa de gente gritando olhando pra câmera de desespero, tudo muito ensaiadinho? Pois é.). Mas enfim, legal. Acho que Nova York tem um apelo grande, né, pros americanos e pro mundo.
Um filme que eu nunca tinha visto é “Miracle on 34th Street”, a primeira versão, de 1947. Achei engraçado que quando eu estava assistindo meu irmão passou e disse: “- Nossa! Que filme velho! Deve ser da década de 70!” Oi? Noção de tempo e história mandou lembranças. Mas o problema mesmo foi que pra ele os anos 70 são algo tão distante quanto pra mim, sei lá, os 1940. Ou talvez ele considere mais distante ainda. Ou talvez eu goste de coisas velhas e ele não, só isso. Bem, o filme. Como já tinha visto a versão “nova” (ainda pode considerar anos 90 novo?), fiquei mais prestando atenção nas mudanças. Devo dizer que a adaptação foi muito bem feita, quero dizer, conseguiram fazer a história atual de uma maneira não forçada. No entanto, prefiro o primeiro. Me pareceu uma história de relações e situações mais reais, mais prováveis. E fiquei muito pensando na mulher (a mãe da menininha que não acredita em nada) trabalhando e tendo um cargo importante na década de 40. Fiquei pensando se isso era algo novo, se aqui no Brasil também era assim… Não sei bem porque, mas talvez eu tenha uma imagem distorcida de que antes não se podia fazer absolutamente nada quando se era mulher. Mas talvez isso tenha mesmo a ver com o lugar, afinal de contas Nova York já tinha solteiras morando sozinhas há bem mais tempo, não é?
E não sei bem porque, mas decidi que “Bridget Jones’ Diary” (2001) também deveria entrar na maratona. Bem, a história começa e termina nas festas de fim de ano, então é apropriado – acho. Não vou entrar na história mesmo porque isso rende muita conversa de mulherzinha, então vamos somente às partes festivas: engraçado isso dos britânicos de almoço de Natal na casa dos vizinhos, né? Quero dizer, não sei bem se é assim mesmo, mas parece que ninguém tem muito problema em passar o dia 25 com pessoas que não são necessariamente a família. Fiquei também pensando nesse campo inglês, que sinceramente parece parado no tempo. Não dá pra ver muita diferença nos filmes que retratam a época atual e o século XIX – mas também os atores são sempre os mesmos…
Estudante de graduação em História há mais anos do que quer admitir (mas Mestre em caçar encrenca), eterno alvo de piadas quanto ao nome, meio deslocada e meio à vontade, fã de bar copo sujo, couchsurfer, ex-aupair, meio andina, totalmente cega, aprendiz na cozinha e expert em procrastinar.
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