A decepcao da minha sensibilidade

Neste exato momento nao estou nos meus melhores humores para escrever, mas mesmo assim tenho que fazer isso.

 

O texto absolutamente vai se mostrar algo no estilo da literatura romântica e arrebatadora da inglesa Jane Austen e as narrativas dos amores do início do século XIX, mas isso se deve meramente ao fato de eu ter acabado de ler “Sense and Sensibility” (ou “Razao e Sensibilidade”). A parte ruim da comparacao é, no entanto, me ver em situacao similar à de uma das personagens, Elinor Dashwood, a “razao” na história (embora nao tenha a dureza dela e me aproxime mais, no mostrar dos meus sentimentos ao estar com amigos e família, à sensibilidade de Marianne). Nao sei se eu algum dia serei a razao, nao sei nem se me encaixo num único adjetivo, mas tenho sido obrigada a agir da mesma maneira que ela frente aos acontecimentos.

Com que voz eu devo ter respondido, qual terá sido minha feicao, ao escutar da notícia de namoro? E ainda ter que me mostrar perfeitamente feliz e reconhecer que, pelo menos de uma parte, o sentimento é sincero (embora nao fiel – e isso eu ainda tenho que manter em segredo). O meu desconsolo é que, ao contrário da sociedade rígida na qual se passa o romance literário, que forca as pessoas à compromissos eternos, a atual nada tem disso, e quando se pensa numa ligacao entre duas pessoas, essa mais nada deve se dar a nao ser pela mútua afeicao. Ou seja, nao existem mal entendidos, obrigacoes, nada que justifique tudo de forma menos desesperancosa pra mim.

Mas por que? Por que uma pessoa, sabendo de tudo (pois com todas as conversas é impossível que ainda reste alguma dúvida), ainda insiste em alimentar as expectativas? O jeito de me tratar nao foi nada diferente? Entao tudo nao passava realmente de uma brincadeira? Mas que brincadeira cruel é essa? E por que dizer a cada um algo diverso? Talvez à mim tenha sido dirigida a mentira, numa forma de me consolar (embora nao abertamente, mas com aquele sentido de “ah, eu gostaria, mas é impossível!”). Ainda assim, é uma conduta inexplicável, imperdoável. Nao pedi por consolos, muito menos pelos incentivos que fizeram os primeiros necessários.

Sim, porque me foi despertada a sensibilidade, com disparar de coracao, ansiedade, dúvida e certeza, horas de pensamento, olhares perdidos no espaco, lembrancas felizes chamadas à memória. É, eu me descobri sensível.

E agora um dos piores sentimentos (sim, Lela, se juntando à dúvida): a decepcao.

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