Atrás de portas fechadas

Quando fechamos a porta de casa um novo mundo se abre: um mundo no qual você faz (praticamente) tudo o que quer, no qual você tem liberdade para agir de acordo com a sua escolha. Bem, isso é bom até certo ponto. Eu, por exemplo, descobri que adoro o ambiente à portas fechadas da minha casa. Mas quando se tem alguém por perto.
Estar absolutamente sozinha por um longo período de tempo não é de maneira alguma a melhor coisa pra mim. Descobri isso neste final de semana, quando fui privada do convívio com a minha mãe e irmão. A única exceção de vida eram as minhas gatas, mas elas provaram a mim mesma que nem animais de extimação eu posso ter. Ou seja: não estou preparada pra viver sozinha. Em absoluto.
De acordo com a experiência deste fim de semana, cheguei à conclusão de que eu acabaria por me tornar uma dessas velhas solteironas que só são descobertas mortas 6 dias depois da tragédia, e mesmo assim só porque o síndico está tentando há dias cobrar o condomínio ou porque o cara da farmácia estranhou o fato de ter uma caixinha a mais de Lexotan no estoque semanal e constatou que a “aquela senhora estranha” não tinha ido buscar o dela. Enfim, o fato é que eu mergulho num estado deplorável de rejeição social e tenho preguiça até de olhar pela janela pra ver como está o dia. Cozinhar pra que? Tem apenas uma pessoa. Pentear os cabelos? Hum, se eu precisar sair… E o pior é que, quanto mais longe de outros seres humanos, menor é a vontade de ter algum contato. É um círculo vicioso, um estado de inércia social.
Minha volta ao mundo normal ficou por conta da insistência da Sra. Martha Verônica e do resgate da Dona Lévia, que me arrastaram pra fora de casa num domingo chuvoso. E, claro, não vou tirar meu próprio mérito: apesar dos pesares, eu ainda não me desviei do caminho que conduz à não timidez.
Ainda não foi desta vez que eu resolvi fechar as portas.
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