Take me home, country roads

Existem diferenças muito grandes entre ser turista, viajante, intercambista e imigrante. A única coisa em comum entre todos é a condição de estrangeiro.

Eu, pra falar a verdade, sempre achei muito legal estrangeiro. É um pouco como viajar sem sair do lugar, porque o diferente vem até você. Mas isso, eu fui logo comprovar (porque o boato já existe há tempos), é coisa de brasileiro. Gringos vivem falando que brasileiro é receptivo, e olha, sendo de Minas e tendo a mamãe do interior aprendido que a gente tem que tratar as visitas muito bem, eu tô acostumada com essa coisa toda de fazer sala (uma versão BEM mais light que a da minha mãe, mas gente em casa pra mim significa dar atenção, conversar e oferecer comida). E nessa a gente vai achando que o mundo é assim. (Como você já adivinhou por todo o prelúdio do post) Mas não é.

Nessas terras germânicas, acostumadas a receber (nó, ajuda no português! “receberem” ou “receber”?) gente de vários lugares (especialmente Turquia e Rússia), o povo está com complexo de grandeza. Uns tantos resolveram que é melhor viver aqui do que em seus respectivos países, seja lá quais os motivos, mas isso não significa que todo mundo que está por aqui tenha o mesmo objetivo. E eu detesto ser tida por imigrante. Eu mesma não tenho nada contra os imigrantes, a maioria tem motivos bem fortes pra decidir deixar sua terra, mas é que o país que recebe tende a olhar de cima, sabe? Com ar de superioridade tipo “meu país é melhó-or! Lá-la-la-la-lá-LA!”. E aí que é difícil depois entrar na cabeça deles que existe gente que quer vir, aproveitar o que tem de bom, e voltar pra casa, para o LAR. E já me perguntaram várias vezes o que eu vou fazer, como quem diz “o quê diabos você vai fazer no Brasil?!”.

Eu não passo fri-ô! Lero-lero-lé-rô!

*Ao som e imagem de Lost, episódio 3×01 – A Tale Of Two Cities (pra aquecer!)

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4 Comentários

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4 Respostas para “Take me home, country roads

  1. lévia

    1) receber2) acho que nao me incomodo em ser comparada com imigrante nao, o pior é o suposto apreço pelo seu pais; tipo "vc faz historia? sempre quis fazer?" / "sempre quis conhcer o Brasil"3)deve ser mal da europa e europeus essa postura, afinal nos que viemos pro continente dele; MAS com o adendo de que estamos aqui na vingança de ex-colonia; sim, estamos aqui superlotando os metros e filas de supermercado, invandindo as radios e dando trabalho pra pronunciar "deixa a vida me levarrr"….enfim, por aqui, brasileiro ainda é visto como gente boa porcausa do Lula, jogadores de futebol e afins, mas outras nacionalidades ofrem preconceito abertamente!bis bis

  2. Olivia

    A princípio tb nao me importa ser confundida com imigrante, pq eu não tenho ódio de imigrante. Mas eles têm, sabe? Quer dizer, nem todos e não necessariamente ódio, mas um olhar diferente e superior. E o q me irrita é eles acharem q a gente tea querendo fugir do nosso país. Pq sim, todo mundo gosta do Brasil e de brasileiros, mas sempre tem aquela imagem "Cidade de Deus", de tipo "a vida lá é horrível, aqui é tudo ótimo" e assim eles ficam pensando q a gente quer viver como eles. E eu não quero. Existem coisas européias muito legais mas tb tem coisas brasileiras ótimas. é isso q eles não conseguem enxergar (e acho q brasileiro tb tem dificuldade de encontrar um equilíbrio, tanto q ou é aquela coisa "amo o brasil loucamente, uhu, samba de raiz na veia" ou então é "morro de vergonha de ser brasileiro").

  3. calendar girl

    primeiro vou responder seu comentario no meu blog: 1. sim, as coisas estao bem, e eu uso o blog pra reclamar mesmo 🙂 Acho que eu nao sei escrever sobre coisas bonitinhas, sei là, ou tenho medo que elas fiquem concretas demais e desmanchem :Pe sobre imigrantes, eu nao tenho muito a acrescentar do que jah foi dito… eles sao toscos mesmo, e sou super de acordo com a "vingança colonial" descrita pela Livia – afinal, os nativos estavam là na deles e os europeus chegaram cutucando com vara e mexendo com o que tava quieto..A França é toscona, toscona mesmo com imigrantes. Muito mais oficialmente do que entre as pessoas "normais", mas enfim…Minha conclusão é que o ocidente é um erro e a europa é podre, mas sim, tem varias coisas legais.. e o sentido de estar aqui é aprender a aproveità-las (acho eu). Bem, eu passei por uma fase "odeio a frança" antes de conseguir enxergar as coisas boas, mas com o tempo a gente se vê um pouco mais integrado. Mas eu me sinto muito mais brasileira aqui do que eu me sentia no Brasil, é fato.E quando eles vêm falando de violência no Brasil, tipo se eu nao tenho medo e tal, eu solto "oi, mas eu nao moro na palestina, sabia?"Heh!

  4. calendar girl

    "e sobre imigrantes, eu nao tenho muito a acrescentar do que jah foi dito… eles sao toscos mesmo…""eles" sao OS EUROPEUS e nao os imigrantes, hahahahahahahaha!!!!!

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