Bicho de 7 cabeças

Há muitos anos que eu e a cozinha nos estranhamos. No princípio eu mesma não percebia, achava que só quem era realmente muito bom cozinheiro e já com anos de experiência não deixava as bordinhas dos bifes queimados, que conseguia fazer o ovo frito perfeito e por aí vai. Até que minha amiga Lela (ó, criatura, onde estás que não posso mais te linkar?!), me vendo tentar fritar uma batatas, observou que eu morria de medo do óleo e que jogava uma batata na panela e saía correndo, jogava a próxima e recuava… e assim ia até terminar com todas as batatinhas. Ora, eu ainda bato o pé e digo que até os mais super conceituados chefs devem nutrir um certo ressentimento com o maldito óleo (quem nunca sentiu uma gota quente do ser pulando bem ao encontro da nossa pele?!)! No entanto, depois das colocações da Lela comecei a perceber que realmente eu e o cozinhar tínhamos as nossas diferenças.

Meu ápice – e meu trauma – foi ainda na tenra juventude, na flor da adolescência, quando queimei um miojo. Desde então eu declarei para o mundo que pilotar o fogão (gírias velhotas mode: on) não era pra mim e que nunca seria. “Eu não sei cozinhar” virou uma das características que definiam meu ser, uma das frases proferidas com o orgulho de quem conhece mais alguma coisa sobre si mesma.

Eis que de um tempo pra cá (creio eu desde que eu virei mestre em fazer spaghetti bolognese com mistura de saquinho – mas com carne moída e temperos próprios!) comecei a questionar esta faceta da minha identidade. Comecei a pensar que talvez eu tivesse deixado o primeiro obstáculo me vencer, que tinha desistido de tentar e que talvez, no final das contas, eu pudesse me reconciliar com a cozinha. Em alguns delírios eu me vi um Remy.

Ahn?

Hoje surgiu a oportunidade de cozinhar algo. Um pacote de risotto semi-pronto, uma panela, alguma quantidade de água.

E realmente. Não dá.

*Ao som de Zeca Baleiro – Bicho de 7 Cabeças

 

 

 

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5 Comentários

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5 Respostas para “Bicho de 7 cabeças

  1. Nossa, eu tb sou do grupo do “nao sei cozinhar”. Perdi a conta das minhas tentativas desastradas de fazer “arroz à la brasileira” aqui.. Aff! Mas algumas experimentaçoes tem dado certo! Jah consegui fazer farofa, mandioca e strogonof! Proximo desafio: salpicao. Hahaha!
    Ok, sao coisas que nao sao dificeis, mas ainda assim me senti orgulhosa de mim mesma, hahahaha!
    Besos Olevita!

  2. livia

    mas nao rolou o risotto??? mas vc esta no caminho certo, diria minha mae! fazendo que se aprende! pior que acho que foi assim que comecei mesmo, nessa casa de loucos, acabei aprendendo coisas bem otemas, mas coisas bem xexelentas…….

    mas eu tb de vez em quando jogo as batatas no oleo, quase da altura de um guindaste – o que é pior né – mas eu tb tenho medo do oleo!!!!!

    • Olivia

      ou, eu como minhas gororobas (comi o risotto…), mas nem sonhando q dou pra outra pessoa comer! eu mesma me arrisco só pq tenho pena de jogar fora.
      e óleos são assassinos. nunca me sentirei tranqüila perto deles.

  3. Pingback: Hot One « Nowherelander

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