You’re so vain

Ontem estava eu no meu canto, lendo coisas inúteis na internet (blogs de mulherzinha, twitter…) quando me deparo com a notícia de que a OMC concedeu ao Brasil o direito de retaliação nos impostos de importação de produtos americanos devido ao subsídio que os EUA oferecem ao algodão deles. Só que, como bem aprendemos desde a escola e mais ainda durante um curso de ciências humanas, nenhum texto é neutro, desprovido de opinião. Eu já recebi a notícia acompanhada de xingamentos ao governo.

Explicando melhor: eu tenho outra coisa a confessar (sim, estou cheia de confissões – num dia admito que minha playlist já teve coisas obscuras, no outro declaro pro mundo que gosto de futebol…): eu tenho um fraco por blogs de beleza e fico lá fuçando. Pois é. (mulherzinha mode: on) O aumento dos impostos vai afetar, entre outras áreas, a dos cosméticos, e é por isso que todo esse bando que escreve e lê sobre o assunto ficou arrasado e jogado no chão. Entendo, vão ter que gastar mais se quiserem continuar utilizando os mesmos produtos, mas daí a passar a “atacar” o governo por causa disso me pareceu O fim da picada. Li até que isso era “nacionalismo forçado”.

Eu não sou nacionalista. Confesso que estando fora do país às vezes me pego exaltando coisas brasileiras, mas é mais porque são coisas das quais eu sinto saudades, não que eu considere o Brasil e o brasileiro assim, o último biscoito do pacote, entendem? Só que também não o rebaixo e grito pros quatro ventos que eu tenho vergonha de ser brasileira. Aliás, minha nacionalidade não é uma grande parte da minha identidade pessoal (antes que alguém fale: claro que faz parte da minha identidade RG, mas aqui estou falando de identificação, do que eu sinto e como me defino): eu não sei sambar, não gosto de forró, conheço pouquíssimo do país e acho que até grande parte da comida “típica” (pra mim típico é arroz e feijão, mas tem esses pratos por aí) nunca experimentei.

Eu apóio a medida do governo. Ela foi aprovada por uma organização internacional que, acredito eu, é formda por pessoas competentes. Não é uma simples retaliação à revelia, é um ato pensado, decidido coletivamente. O resultado? O governo norte-americano está enviando seu secretário de comércio para tentar um acordo com o Brasil. Quando, me digam, os EUA prestariam atenção no Brasil economicamente? O Brasil está passando a ser levado a sério no cenário internacional. Pergunta capciosa: isso é ruim? E se os EUA estão se preocupando a este ponto é porque o Brasil é importante – por que, então, temos complexo de inferioridade?

A medida também não é pra durar pra sempre. O objetivo deste mundo capitalista é comércio – sem ele o mundo não se move e o sistema entra em colapso. Então não, a decisão não foi tomada para durar, mas para forçar os EUA a abrirem-se mais. Enfim.

O que mais me chocou disso tudo foram as reações. Como li a notícia no tal blog, tava todo mundo chorando por causa das maquiagens. E amaldiçoando o governo porque não podem mais comprar maquiagens! Eu fiquei assim, sem reação. Maquiagem é mais importante?

Ai, cansei de escrever sobre o assunto.

*Ao som de Brooke White – You’re So Vain

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