Welcome to the jungle

Tenho adotado uma política muito contrária a da que eu declarava há pelo menos um ano atrás: diferentemente de “todo mundo é chato até que se prove o contrário”, agora eu passei a acreditar nas pessoas – ou pelo menos tenho tentado.

Não tratar os outros de cara como inimigos, mas pelo contrário como pessoas com as quais eu posso vir a ter pelo menos uma ótima conversa, tem se mostrado de fato uma postura no mínimo frutífera. No entanto, acotecimentos recentes me alertam que existem lugares e situações nas quais as pessoas esquecem toda a sua humanidade e viram animais: utilizaremos aqui os exemplos de ônibus e bancos.

Os dois casos, na verdade, envolvem filas: no caso do banco a fila já é subentendida, já quando o assunto é ônibus não podemos pensar em tal organização, já que o que temos é mais um amontoado de gente à porta. Quanto ao ônibus, creio eu que qualquer que o utilize regularmente possa visualizar imediatamente a barbárie. Por outro, no banco ela é mais velada: você se encaminha a passos normais para um atendimento milagrosamente sem fila e, quando já está a dois passos do balcão, um ser chega à la The Flash e, ofegante, passa por você e já solta o problema a ser resolvido pela atendente. Você, então, na sua perplexidade, recua até a linha de espera. No ônibus, a barbárie se dá na própria tentativa de fila, na qual cada um que a compõe tem uma idéia diferente no que toca à ordem dos que a compõem – e localizam-se invariavelemente à frente, dando-se o direito de entrar antes dos outros. O jeito clássico de barrar outros e garantir o próprio sucesso na escalada ao ônibus é o famoso “braço segurando nas duas beiradas da porta, travando o acesso às escadas a qualquer outra pessoa”. Já dentro do veículo, provavelmente cansado de todo seu esforço na luta para subir primeiro, o afortunado que conseguiu um lugar para sentar obviamente está tão fatigado que é incapaz de te ajudar com aquela mochila chumbo penduradas nas suas costas ou com os livros-tijolo que não couberam na mesma e você foi obrigado a levar nos braços. Mas tudo bem, afinal de contas o ônibus está tão cheio que não tem nem como você cair – aliás, se todo mundo pular ao mesmo tempo você é conseqüentemente levado ao mesmo movimento.

Apesar de tudo isso, sigo acreditando nas pessoas. Não na bondade, porque isso é coisa de iluminista.

 

*Ao som de… nada, porque não escuto Guns’n’Roses. 😉

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7 Comentários

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7 Respostas para “Welcome to the jungle

  1. eu tb não gosto de guns
    isso não me irrita tanto. O que me irrita é gente que senta nos assentos reservados e espera que a pessoa mais idosa tome partido.

    • Olivia

      Sim, sim, isso também. Outra de ônibus: má vontade de trocador/motorista ao dar informação. Eles passam todos os dias varias vezes nos mesmos lugares e ainda dão informação errada ou simplesmente soltam um “não sei” que mais soa a “eu não me importo”.

      • Hermano Cardoso

        uai, nada que entrar no google maps, pegar a linha de onibus aonde quer ir e indagar o trocador. Fiz isso nesse feriado, fui parar num lugar nao sei se ainda era contagem ou bh(lugar q nunca pisei perto), nao conheco a cidade direito, vim com o mapa impresso e fui de cara perguntando pro trocador! Até que ele foi gente boa, ;D

  2. Olivia

    Mas eu já tava com tudo certo, já tinha traçado minha rota no google, só não tinha certeza em q ponto descer! A única coisa q perguntei: “qdo passar na pracinha do coreu vc poderia me avisar?”Ao q o ser me responde: “ah, acho q já passou”. Resultado: andei mais uns 10/15 minutos na chuva pra chegar no lugar certo.

  3. até os quadrados dos franceses aderem ao STRUGGLE FOR LIFE quando se trata de filas e ônibus/ metrô.

    os alemaes eu nao sei, mas eu imagino que eles sejam um caso perdido da quadradisse, nao? do estàgio onde eles estao, eles nao voltam mais…

    • Olivia

      na Alemanha isso não é possível mesmo: a quadradisse (ou quadradismo?) é institucionalizado, logo a organização e freqüência dos transportes + o número de habitantes das cidades é tal que nunca é preciso adotar a filosofia STRUGGLE FOR LIFE. Isso eu respeito.

  4. Lélia

    acho q vc deveria escrever mais vezes, principalmente agora q está de férias

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