Wild World

Outro dia, tentando produzir um post para O Braço da Biscoiteira, fui me aventurar pela cozinha na tentativa de sair de lá com um bolo de cenoura com cobertura de chocolate. Quem me conhece minimamente ou leu alguma vez dos meus posts no projeto culinário sabe que, se existe a mínima chance de algo dar errado quando o assunto é cozinha, vai acontecer comigo. E lá fui eu, pensando que eu tinha que medir bem a quantidade de fermento, tomar cuidado com a fôrma, com a temperatura do forno… E eis que o desastre acontece quando eu menos esperava, na parte do liquidificador ainda, colocando os ingredientes (era providência divina: o maldito tinha um buraco e enquanto eu depejava óleo e ovos, saía tudo do outro lado).

Isso me fez ficar pensando na vida de maneira geral, porque esse episódio do bolo é uma metáfora muito boa para o que acontece sempre. SEMPRE.

Começando pela pergunta: por que insistimos em coisas que sabemos acabarão se tornando um erro? Por que nutrimos essa esperança de que algum dia vai dar certo, mesmo racionalmente sabendo que não, não vai dar? Várias vezes a gente prenuncia o sofrimento, temos plena consciência da impossibilidade de que aquilo que queremos seja o certo, que resulte naquilo que esperamos – e ainda assim insistimos. Por quê? Seria muito mais fácil, menos tempo gasto, menos raiva, menos lágrimas… mas também menos sorrisos.

Tudo bem – puxando para o lado da empiria, precisamos da experiência. Mas ok, então cometeríamos o “erro” só uma vez, certo? Aí é que a vida deixa a cientificidade totalmente de lado, porque fazemos tudo de novo. Assumindo minha faceta historiadora, qualquer tipo de passado é válido, afinal de contas pra que eu chegasse onde estou hoje, pra que eu pensasse dessa maneira, tudo o que eu passei antes conta, é parte formadora. Ok, mais uma vez é a experiência. Mas aí você só pode se perguntar sobre o seu arrependimento ou não quanto a acontecimentos passados (você então questiona se está satisfeito com você mesmo, se sim, então ótimo, seus “erros” te tornaram alguém legal), mas e quanto ao futuro? E os próximos erros? Serão erros mesmo ou também terão alguma utilidade? Ninguém pode saber o que teria se tornado se tivesse ou não cometido o “erro”, qual pessoa seria melhor.

Então a pergunta, no final das contas, é aquela velha: se arrepender de ter feito ou de não ter feito? E até que ponto é arriscar demais?

 

Experiência

*Ao som de Cat Stevens – Wild World

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2 Comentários

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2 Respostas para “Wild World

  1. O pior de tudo é que a gente nunca vai saber. Sei là, essa coisa de pensar que os erros da gente contribuiram pra pessoa que a gente é hje pode até ser verdade, mas de certa forma vc nunca pode saber que pessoa vc seria sem esse erro (= essa dor, essa decepçao, essa desilusao) passada. E eu nao acho que todas as coisas sejam vàlidas. Enfim. Mas o que eu queria dizer é que eunao acho que essas desventuras culinàrias sejam uma metàfora pras desventuras da vida… Ok, a gente sempre erra là onde a gente nao esperava (mesmo que a gente intuisse que haveria erro e se preparasse pra ele). Mas quando vc se aventura na cozinha, existe pelo menos uma receita a seguir. Existe uma forma pela qual vc sabe que irà chegar a um nivel bàsico de acerto – a nao ser que algo puramente externo interfira – mesmo que a coisa nao fique là uma obra prima. Mas quedê a receita da vida? Se vc achar por ai me diga, pq hà tempos eu desisti de procurar e ando achando que a dramaticidade (ui!) da existência é exatamente a falta de receitas, manuais, ou qualquer placa de sinalizaçao que possa nos dizer COMOFAS.

    Suspiro.

    Besos, Olévia :o)

    • Olivia

      Bem, na verdade há uma receita de vida normal, esperada, que pode não te trazer felicidade, mas te coloca dentro do “normal”, do caminho “certo” e “estável”. Estude, arranje um emprego, case e tenha filhos. Assim, nessa ordem e sem muita enrolação entre uma coisa e outra. Só que né, nós que não enxergamos a naturalidade nessas coisas e vemos aliás tudo o que isso encobre, não queremos seguir por aí. Mas é a receita dada pela sociedade. Talvez a metáfora das receitas não seja perfeita, mas o que eu queria na verdade era chamar atenção pra essa coisa de recorrer no erro. Sei que sou dramática e que provavelmente com prática um dia eu consiga cozinhar raozoavelmente, mas não é isso que vem ao caso. É que, naquele momento, eu sabia que alguma coisa ia dar errada, só que deu errado numa parte q eu nem conseguia prever, e é isso que acontece sempre na vida. Tem coisas que a gente já sabe que não é pra gente, tem situações que a gente já entra sabendo que vai quebrar a cara, que vai dar errado e o diabo, e mesmo assim vamos. E dá errado mesmo, quando a gente menos espera, onde a gente nem conseguiu prever. É defécel viver, viu.

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