All I can do is write about it

Quando eu era pequena, lá pelos meus sete anos, ganhei um diário: páginas rosadas, cadeado, capa com ursinhos e flores. Cada registro sempre começava com “Querido diário…” e eram sempre um relato do que tinha acontecido no dia ou uma declaração de amor pro fulano da escola. O que nunca aconteceu foi eles durarem muito (será que eu jogava fora depois que a paixão exasperada passava?) e nem sei onde eles foram parar.

Aí, quando fui me aventurar pela terra da cerveja, há alguns anos atrás, resolvi que deveria escrever algumas coisas que me aconteciam e que eu pensava, pra não esquecer mais tarde quais tinham sido minhas sensações e as situações mesmo. Uma coisa tipo este blog, só que (mais)pessoal. O primeiro caderno era um cadernão mesmo, que na verdade eu tinha comprado pra estudar alemão e acabou virando o caderno da vida. Consegui apenas salvar as páginas escritas e manchadas dele (que estão guardadas em algum lugar que não consigo descobrir qual é) quando boa parte molhou durante uma viagem. Desde 18 de junho de 2007 escrevo minhas coisas no mesmo caderninho de páginas quadriculadas, hoje num estado físico que se pode chamar de detonado e que nas últimas páginas contém endereços, horários de trens, listas, emails, telefones, nomes e todas as anotações corridas que se faz na vida. Mas se você começa do começo (leitura ocidental), encontra anotações sobre a vida.

É engraçado folhear páginas de dois, três anos atrás e perceber como as coisas mudam, as preocupações mudam, o ponto de interesse, as alegrias, as expectativas… Outras continuam basicamente as mesmas. E tem aquelas coisas que você nem se lembrava, mas que te provocam reações parecidas. Ou diferentes, o que também é legal. Ou que provocam parecidas para contextos ligeiramente diferentes… Enfim, acho interessante se ler. São citações que você anotou ali às pressas porque te pareceram legais, ou algum tipo de reflexão (que coisa pedante, eu sei) sobre algo que você leu. Em um momento da minha vida eu estava tão mergulhada em textos de nacionalismos e p*** da vida porque queria viajar o mundo e meu passaporte não me dava tantas possibilidades, que escrevi exaltada sobre essa coisa do pertencimento nacional e se isso molda mesmo a personalidade de alguem ou se as pessoas deveriam ser julgadas pelo território no qual elas nasceram. E seriamente!

Enfim, boas risadas para o futuro você/eu.

*Ao som de Lynyrd Skynyrd – All I Can Do Is Write About It

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2 Comentários

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2 Respostas para “All I can do is write about it

  1. O legal de escrever é que você pode lembrar alguma coisa do passado.
    Pode parecer tosco, mas lembra do fotolog? As vezes uma vez por ano entro ele, e vejo os comentários, ai fico imaginando… fulano disse isso?! estranho não tem cara dele. Pode parecer mongol por ser um fotolog, mas curto de ver o que os outros escreviam nos comentários.
    Escrever sempre é bom, pena que eu mesmo estou escrevendo cada vez menos. E mew acho que free bird do Lynyrd Skynyrd combinaria mais com seu post, além de ter um dos solos mais bonitos que já vi

    =)

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