The model

Não considero crime gostar de comprar uma roupa legal, sapatos, cosméticos… Acho legal, é bom se sentir arrumadinha e tal, mas parece que as coisas estão tomando umas proporções exageradas.

Se antes a vaidade era um dos sete pecados capitais, hoje parece que é a falta dela é que é considerada uma falta. É desleixo, mal cuidado, falta de feminilidade no caso das mulheres, quase um sinal de falta de elegância se a história são os homens.

Aí eu me deparo com esta notícia: Fashion Kids reúne “socialitezinhas”. A matéria é na verdade uma simples compilação de frases das mães das meninas que viajam pra Disney todo ano, trocam buffet de criança por Paris, são mais consumistas que muito adulto (e têm como bancar isso) e carregam Givenchys por aí. As mães se orgulham de não conseguir imaginar as filhas vestindo Renner e exaltam o bom gosto daquelas que não se contentam com menos que Prada, Dior e por aí vai.

Eu uso Chanel, e você?

E não é só essa de valorizar a vaidade: a coisa fica pior. Notadamente as roupas (ou melhor, a etiqueta que elas carregam) servem como uma maneira de distinção social, e tais valores ja são passados pra crianças que, aos oito anos, já enxergam um mundo cheio de divisões e, baseadas nos comportamentos de suas mães, só vêm uma forma de se destacar: através do consumo.

É sintomático que a nata da sociedade despreze a intelectualidade (e não estou falando de grupos de intelectuais, mas do ato de pensar mesmo) e eleja como principal fator de distinção a grife da roupa.

*Ao som de Belle And Sebastian – The Model

Anúncios

3 Comentários

Arquivado em Uncategorized

3 Respostas para “The model

  1. oniguiri

    nossa, assim, eu sei que existem essas coisas, mas “ver” as pessoas falando claramente é sempre assutador. Eu vomitaria na cara dessas mulheres se fosse o repórter! Mas pelo menos no Brasil eu acho que essa raça de gente ainda é menoria, ainda bem. Não que a maioria tenha valores mais elevados, mas porque a maioria é pobre mesmo. Eu tava aqui esses dias elaborando uma teoria sobre a sociedade italiana moderna, fazendo uma comparação com a sociedade romana clássica, só por esporte mesmo, e é muito interessante como que com símbolos diferentes, continua a mesma sociedade baseada em aparência e valorização de status aparente. Digo status aparente porque é fato que boa parte das pessoas não tem bosta no c* pra cagar (como já diria minha sábia mãezinha) mas faz questão de hostentar por ai só pelo simples prazer de comunicar visualmente, sabe como?
    Eu fico mesmo é feliz e orgulhosa de não ser uma pessoa assim! E sim, eu tb curto ter meia dúzia de roupas bonitas, mas fico tb muito orgulhosa se consigo gastar 3 euros numa blusa!!! 😀

    • Olivia

      O repórter não parecia estar descontente com as declarações, afinal de contas poderia ter perguntado muita coisa que deixaria as mães um pouco encurraladas (menos aquela que parecia ser a mais idiota, rindo do marido de uma delas e chamando ele de “intelectual” de maneira bem irônica).

      Não acho que essa sociedade de aparências seja exclusividade italiana. Me parece que é uma coisa espalhada pelo mundo, em algun lugares em maior ou menor grau. Fico lembrando mesmo das nossas aulas de Brasil colônia e da sociedade das aparências. Só que acho que atualmente, com o crescimento da cultura do visual (fotos, tv, cinema…) a coisa cresce. Além disso, nem se trata mais de um “bom gosto” (algo já totalmente subjetivo), mas da marca mesmo que a pessoa veste e que quer dizer quanto dinheiro ela tem na conta, o que está relacionado com o poder. Tudo é poder (muaaahahahahah!).

  2. oniguiri

    mas eu me referia mais aos símbolos, tipo, aqui eles colocam laços do lado de fora da casa pra anunciar qualquer acontecimento, e dependendo da cor do laço vc sabe o que está acontecendo. Tipo, já que vc não pode sair por ai com um megafone dizendo que seu filho se formou, vc coloca laços vermelhos do lado de fora. Se alguém casou, vc coloca laços brancos, se alguém nasceu vc coloca laços rosas pra menina ou azul pra menino. E assim todos ficam sabendo das coisas “importantes” da sua vida. E isso sem falar das festas, tipo as mega festas de batizado, onde o festejado definitivamente não é o bebê que vai dormir o tempo inteiro e nunca vai se lembrar, mas a família, que precisa mostrar o quão rica é, fazendo o melhor almoço, no melhor restaurante e dando a melhor lembrancinha. Assim, e mais um milhão de coisas. Foi um estudo que eu fiz em 7 meses e definitivamente as coisas q eu observei aqui nunca tinha visto no Brasil. Mas tudo depende tb do tipo de pessoas que se conhece, do ambiente em que se está inserido…

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s