Blue jean baby…

Eu precisava de um novo par de calças jeans. É engraçado isso, que a gente precise de um par de calças especificamente jeans. Ainda mais porque, pra falar a verdade, eu nunca fui muito fã de usar esse tipo de vestimenta. Isto é, calça jeans. Mas quem sou eu pra questionar essa verdade do mundo? Pra questionar a importância deste item do vestuário?

Me lembro da primeira vez que vesti uma dessas. É engraçado eu me lembrar tão especificamente, não? Mas eu me lembro. Lembro que quando eu era pequena ninguém me vestia com jeans. Lembro dos meus pais dizerem que jeans não era coisa de criança e que crianças devem se vestir como crianças. A única coisa jeans que eu tinha era uma jardineira e jardineiras são tão coisas de criança que o material do qual são feitas tornam-se totalmente irrelevantes. Mas calça, não. Calça é coisa séria. Porque até então eu só usava vestidos, saias, shorts e, quando o assunto era calça, ela tinha que ser de moletom.

Mas numa bela manhã, em férias em La Paz (onde eu tinha que usar calças), no meio de todas as coisas que minha mãe tinha comprado havia uma calça jeans. E era ela quem me vestia. Assim, lá fui eu, com meus recém cumpridos seis anos de idade, vestir aquela coisa tão nova, tão estranha. Preciso dizer que eu era uma criança muito “emburrada”, então quando vesti aquilo que me pareceu a roupa mais dura que eu já tinha usado na vida, comecei a andar de maneira esquisita (sim, porque eu tinha que desfilar pra que minha mãe visse se estava bom) e despertei a ira de minha progenitora que, sem paciência (olha aí, essa característica é herdada dela), disse que “se é pra andar igual robô, que tire logo isso!”. Assim, minha história com a chamada “peça mais básica de um guarda-roupas” não foi das melhores.

Com o passar dos anos, entrando na adolescência, acabei aderindo, sem questionar muito. Mas nunca foi aquela coisa. A gente nunca bateu. É aquela coisa: meu corpo não se ajusta a elas nem elas ao meu corpo. O que se há de fazer? Eu gosto do conforto de vestidos e shorts, mas vivemos em sociedade e temos que aceitar os outros como eles são, então eu e as calças jeans nos toleramos e convivemos.

Um belo dia vi uma menina que tinha abolido, vejam só, não apenas calça jeans de seu repertório, mas calças em geral. Acho que shorts também. Enfim, ela só usava vestidos e saias. “Porque fica melhor”. Meus olhos brilharam. Porque aí estava uma coisa que eu nunca tinha pensado ser possível. Como alguém ousara contestar as regras sagradas das vestimentas? E no entanto lá estava a menina, aliás, adolescente provavelmente em seus dezoito anos, feliz em seu vestido.

Pensei que poderia dar meu grito de liberdade também. Desde então tenho pensado seriamente no assunto: um dia, abolirei calças jeans, esses elementos repressores, da minha vida.

***

Outro dia eu precisava de calças jeans. As minhas duas únicas que poderiam ser chamadas de “ok” rasgaram. Encontrei uma promoção. Estava com a minha mãe, conhecida por seu consumismo. Bem, tenho várias calças a gastar até poder realizar meu sonho.

*Ao som de Elton John – Tiny Dancer

 

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3 Comentários

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3 Respostas para “Blue jean baby…

  1. doe esses jeans e viva a liberdade de saias, olévia !!!

  2. Exatamente, vc é uma prisioneira! E vai se libertar doando-as! Ok, talvez isso seja muito coraçaozinho de ouro, mas vc tb pode vendê-as no ebay ;o)

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