Try a little tenderness

Outro dia me deparei com uma historinha sobre a gravação de “Smells like teen spirit”, do Nirvana. Kurt Cobain teria ficado extremamente irritado por não conseguir tocar ao vivo com a banda e acabou tendo que gravar sua introdução separadamente.

***

Nos últimos dias investi meu tempo na educação musical. E então cheguei a um filme documentário chamado “It might get loud” bastante interessante que reúne três músicos guitarristas: The Edge, Jack White e Jimmy Page (em crescendo).

O filme, que se propõe como tema a guitarra, traz entrevistas com cada um dos caras separadamente e todos eles reunidos contando suas histórias com o instrumento e a música – e tocando. Quando li sobre o documentário fiquei absolutamente sem entender as escolhas desses caras (bem, não do Jimmy Page), afinal de contas nunca vi reparei na habilidade dos outros (especialmente The Edge) coma  guitarra. Mas na minha opinião o interessante de verdade nem é a guitarra, mas a formação de cada um e as idéias tão diferentes sobre como fazer música.

Devo dizer de cara que Jack White mudou muito para mim depois do filme. Antes acho que não prestava muita atenção nele  ou nas músicas, apesar de ouvir The White Stripes. Estava ouvindo música de maneira diferente da que passei a ouvir nos últimos dias. De qualquer maneira, Jack White colocou coisas interessantíssimas em suas falas e elas colidem estrondosamente com as idéia de The Edge (o do gorrinho do U2).

Enquanto The Edge (aliás, que nome artístico, hein) mergulha na tecnologia, Jack White a abomina. E aí lembrei do Kurt Cobain e sua introdução. E lembrei dos Beatles sobre seus álbums mais elaborados, quando já não faziam shows e eram uma banda de estúdio. O estúdio realmente proporciona muitas possibilidades, muito espaço para criar coisas novas, diferentes, para experimentar novos sons… Mas pensando no Nirvana, por exemplo, até que ponto aquela música existe? (Quase caí de costas, porque o Jack White faz a mesma pergunta.) Bem, eu sei que a gravação está lá, mas não é possível reproduzi-la ao vivo, por exemplo.

Fiquei pensando que talvez pessoas que eu admire musicalmente na verdade não são tão habilidosas assim – mas por outro lado, ela compôs aquilo de alguma forma, pensou nos sons e correu atrás da forma de produzi-lo, ainda que por computador, pedais ou regravando aquele riff. The Edge, por exemplo, mostra como um de seus riffs tem apenas dois acordes simples e que tocado num violão acústico não soa nem de longe como quando vestido com os efeitos produzidos pelo seu pedal. Então a pergunta que fica é: a habilidade com o instrumento vale o mesmo que a habilidade com os aparatos tecnológicos?

Bem, particularmente eu não consigo sentir a mesma emoção com um som produzido por computadores. Tenho a sensação de que há muita coisa entre a música e eu, entre a música e o próprio compositor. No final das contas, de verdade mesmo, eu sou uma pessoa do acústico. É claro que eu gosto de guitarras e alguns efeitos de som, mas quando se nota que aquilo não está sendo tocado mesmo, meio que perco a graça. Eu gosto de pensar que eu posso escutar uma versão igualmente estonteante da música se o cara descer da parafernália tecnológica. Acho que é mais sincero.

*Ao som de Otis Redding – Try a Little Tenderness

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7 Comentários

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7 Respostas para “Try a little tenderness

  1. Eu tb penso assim. Acho mais “sincero” quando nao existe a parafernàlia. Eu até gosto UM POUCO de ALGUMAS musicas mais eletrônicas (ok, tipo soh da Bjork e de uma italiana que imita a Bjork haha), mas é pq eu amo a voz e a forma como elas cantam. Entao é mais pela voz, bem mais, do que pela parafernàlia – talvez seja pela voz APESAR da parafernàlia.
    E é por isso que eu nao consigo respeitar artistas que nao conseguem cantar/ tocar ao vivo. Eu acho a Kate Perry ridicula, Britney Spears idem, e nao entendo como as pessoas podem dar tanto dinheiro “pra ver uma piranha mexer a boca” (/Lady Gaga). Enfim, Madonna é excessao (nem sei se ela faz playback sempre mas imagino que sim, pq aquela vozinha dela..), mas a Madonna é muito mais do que uma simples musica hahaha.
    Soh falei de voz né – e da flautinha da KP – mas eu nao entendo nada de instrumentos pra ficar citando.

    • Olivia

      A frase da piranha é da Lady Gaga ou vc está se referindo a ela também?
      Mas é mesmo, eu também não entendo de instrumentos, tô longe disso, mas é que de alguma forma está próximo quando é tocado. Eu estava falando da guitarra e violão por causa do documentário, mas nossa, super curto pianos, acordeón…! E vozes também. Engraçado você falar, porque de um tempo pra cá eu tenho prestado muito atenção nos vocais e eu sempre tinha achado vocal um ponto secundário, vai saber porque! Tipo, a interpretação é uma coisa sensacional e que muda muito uma música! Tipo o Otis mesmo, da música do título do post. Ele canta de uma maneira fantástica! E tem também os grupos que cantam em harmonia, tipo Beach Boys, Crosby Stills Nash & Young (ou sem Young). E tem uma onda agora dessas bandas indie folk com vocal tb, né? Fleet Foxes tá aí pra mostrar isso. Vocal é realmente MUITO legal. Agora, esse pessoal que muda a voz por computadores… Assim, eu fico nervosa porque aquela úsica não existe!

  2. Nossa Olévia nao conheço metade dessas referências hahaha! Aliàs escreve mais sobre musica, vc tem taantas taaantas referências! 🙂 Bote videozinhos e tal! **soh uma sugestão**
    Beijo!

  3. Ah, a frase da piranha EH da Gaga! Ela nao costuma cantar em playback. Nao sou muito chegada nela mas pelo menos é uma artista que eu “respeito”, digamos. Até pq ela é super militante pelos direitos dos gays e isso jah seria uma razao pra acha-la simpatica.
    Eu sempre amei vocais, soh nao gosto muito daqueles “solo vocais” (tipo que o Milton Nascimento adora fazer de vez em quando, eu acho um sacoooooo!!!)

    • Olivia

      Acatarei sua sugestão dos vídeos! Pode servir de trilha sonora pra leitura tb, néam? hahah! Mas essas bandas q eu falei sao famosas, quer dizer, talves Fleet Foxes não, mas as outras são. E antiguinhas, né. Mas ok, é q ultimamente estou na fúria da educação musical e tenho escutado muito mais coisa, principalmente os classicos, inclusive esses aí q falei.

      Pois é, Lady Gaga me dá nervoso. Até certo ponto ela é respeitável, ok, mas ela me irrita com essa coisa de chocar por chocar. Eu concordo com o chocar quando ele quer demonstrar alguma coisa, sabe, tipo quebrar tabus, jogar assuntos que nunca foram discutidos na roda da conversa, questionar valores e costumes… Mas sobretudo desde o negócio dela usar um vestido de carne eu parei de ver ela como alguem com proposito, pq pra mim vestido de carne é sinônimo da velha conhecida “melancia no pescoço”.

      • Sim, videos!! Assim vc ajudaria na minha educaçao musical tb hahaha, eu sou meio preguiçosa pra procurar coisas (shame on me). E vc é super boa referência eu acho 🙂

        Eu nao curto tudo que a Gaga faz, inclusive no começo os fãs dela me inspiravam certa piedade pq eu pensava MAS GENTE A MADONNA JAH FEZ TUDO ISSO, E FEZ MELHOR, VCS NAO TAO VENDO HELLO!! (é eu pensava tudo isso textualmente hahaha). Mas enfim, como ela defende mais explicitamente a causa dos gays eu aprendi a respeita-la até certo nivel. Mas quando eu falo “respeito” é em comparaçao com outras artistas do meio dela – que convenhamos hoje em dia anda bem capenga – mas concordo que às vezes ela dà muita preguiça, tipo aqueles clipes “””””conceituais””””” de 10 minutos ou isso de se vestir de carne. Por favor, sabe.

  4. Pingback: Stuck in reverse | Nowherelander

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