Listen, do you want to know a secret?

Desde que eu tinha uns dez anos escuto Beatles conscientemente, o que quer dizer que conheço as músicas e sei que elas são de uma banda chamada The Beatles e que esta foi – e  ainda é – muito importante para a história da música em geral. Não demorou muito para que eu amasse a banda.

Eu curtia John Lennon indiscutivelmente (ainda curto), mas os outros ficavam meio obscuros pra mim. Com o passar do tempo, lendo daqui e dali, vendo vídeos, reportagens, enfim, “absorvendo”, como se diz, o que estava por aí acessível para mim, comecei a saber um pouco mais dos outros Beatles.

***

Nos últimos tempos Paul McCartney resolveu que iria lotar uns estádios durante algumas noites brasileiras. Nós, que sempre fomos esquecidos pelas grandes bandas em suas turnês, teríamos a chance de ver um beatle, um ícone, uma lenda. E como meu amor pelos Beatles é de certa maneira conhecido, algumas pessoas vieram em toda sua empolgação me contar que iriam/tinham ido ver o Sir. Dependendo da pessoa, eu respondia “-Nossa, que legal” ou simplesmente “-Argh, detesto o Paul” – recebendo em troca um olhar estupefato, os olhos mal se contendo nas órbitas.

***

Enquanto minha admiração pelo John Lennon só crescia, eu ainda aprendia cada vez mais sobre George Harrison (concluindo facilmente que ele era o mais inovador musicalmente da banda), enquanto Ringo Starr caía num limbo do “whatever” e o Paul ganhava minha antipatia.

É difícil explicar, porque envolve não gostar dele como pessoa, não como músico. Vamos lá: nunca achei que a culpa da separação dos Beatles fosse da Yoko ou do John por a ter levado. Vendo documentários e falas deles mesmos e, claro, a vida profissional pós-Beatles de cada um, eu percebo uma diferença muito grande entre eles, sobretudo entre John e Paul. Enquanto John era o rebelde, criado em condições difíceis e disposto a usar sua posição para protestar e se envolver em causas políticas e sociais, Paul era aquele menino criado na tradicional família inglesa, certinho, um cara dos eventos oficiais, um Sir. E eu sou uma pessoa que defende arduamente o engajamento.

Mas não é só isso. É notável como documentários normalmente deixam bem clara a mensagem: “- John era um encrenqueiro e foi Paul quem tirou os Beatles do Iê-iê-iê e os conduziu para uma outra fase bem mais profunda”. Bem… McCartney compôs “Yesterday” (uma das minhas preferidas), a primeira música diferente da banda. Ok. E escreveu várias outras que eu tenho como minhas preferidas. Mas só porque pode ter sido ele a dar o primeiro passo em uma direção diferente vamos ignorar todas as contribuições de John e George? Foi John quem nos deu músicas como “You’ve got to hide your love away”, “Norwegian Wood”, “Lucy n the sky with diamonds”, “I am the walrus”, “Across the universe”, “Strawberry fields forever” e “Nowhere man”, que está na idéia do próprio título deste blog. George, por sua parte, é responsável por algumas das mais belas canções dos Beatles como “Here comes the sun”, “Something” e “While my guitar gently weeps”. Além disso, foi George quem levou a cítara e toda a influência hindu.

Não nego (é bom repetir) a importância do Paul. O cara estava prestando atenção no que acontecia no mundo da música. É dito que o Sgt. Peppers (considerado um dos álbums mais importantes da história) é uma resposta ao Pet Sounds dos Beach Boys, um disco que certamente é bastante bem elaborado. Mas…

Se a vida pós-Beatles de Paul continua se apoiando em shows com 80% do repertório composto de sua época de ouro, John por exemplo é lembrado por uma tracklist sua e de muita relevância: “Mind Games”, “Mother”, “Jealous guy”, “Imagine”, “Merry Christmas”, “Working class hero”, “Give Peace a chance”. George tem o All Things Must Pass, também um álbum de destaque, promoveu o Concert for Bangladesh e teve seus projetos tais como o Traveling Wilburys (uma reunião de músicos fantástica!).

Para concluir, em resumo, porque não curto Paul McCartney: ele representa o correto, com esses hábitos de bom moço, de fazer aquilo que se espera, de ser popular ao invés de desafiador. Tem belíssimas canções que certamente caíram no gosto de todos, mas não vejo como é tão estrondoso ter sido o primeiros dos garotos de Liverpool a pensar em mais do que em 3 acordes simples, enquanto outros levaram isso muito mais longe.

*Ao som de The Beatles – Do You Want to Know a Secret?

Anúncios

7 Comentários

Arquivado em Uncategorized

7 Respostas para “Listen, do you want to know a secret?

  1. EDUCACAO MUSICAL!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

    Nossa mas foi maldade postar tantos videos inclusive um video de um album inteiro!! Vontade de salvar o post nos favoritos pra ouvir direito depois!!

    *AQUELAS QUE SOH RECLAMA, reclama quando nao tem video, reclama quandi tem demais.. hahahaha

    to brincando, eu nao to reclamando, eu super curti!!

    • Olivia

      Hahahah! Eu sei, eu também achei que eram muitos vídeos para um texto tão curto e eles tambem aparecem muito grudados um no outro. E quanto ao dos Beach Boys, é que ficava difícil escolher uma música, esse aí merece ser ouvido e nem é tão longo pq as músicas são pequenas. Mas ok, só pra vc ter uma idéia. Foi uma tentativa ainda, vamos vendo onde eu vou melhorando.

      Mas diga aí vc: é do time pro-Beatles?

  2. O album é otimo sim, e posta quantos videos quiser!!!

    Olha do ALTO da minha super ignorância musical eu acho os beatles overrated.. eu gosto e tal, mas nao entendo o por quê de TANTA BABACAO DE OVO fraga? Mas assim, com seu post dà pra entender melhor a evoluçao da banda do iêiêiê pra coisas mais elaboradas, mas como eu nao sou nada por dentro do que pode ter representado uma super inovaçao e tal, eu fico sem opiniao “técnica” hahaha.

    Mas eu acho que prefiro os Rolling Stones 🙂

    • Olivia

      Pois é, eu fiquei pensando nisso outro dia e eu confesso que não sei. Assim, eu amo, mas eu cresci escutando, então tem coisa pessoal no meio da minha relação com os Beatles. Mas realmente, acho que eles não fizeram nada de muito diferente do q já estava acontecendo, mas fizeram músicas que pegam muito. Acho que Rolling Stones foi mto mais chocante, mais rock’n’roll mesmo. Mas eu acho q a partir de certo momento (depois do ie ie ie) eles realmente fizeram músicas bonitas, começaram a experimentar, as letras são mais profundas…

  3. Beatles… Pra mim a coisa eh dividida assim: existe musica e existem os Beatles acima da musica… risos…. Eu gosto de TUDO deles, mesmo!

    Eu tenho total antipatica pelo Paul. Ele pra mim parece o chato, o reclamao, o mandao. Vendo documentarios – voce viu o ultimo do Geroge? – da pra ver o Paul dando licao de moral, “conselhos” que ninguem pediu.

    Acho que gente assim poda a criatificade dos outros… Nao soh na musica…

    Mas eu gosto das musicas do Paul, as que ele escreveu quando estava nos Beatles – Hey Jude deve ser a que eu mais gosto dele – e depois com os Wings. As mais recentes eu nao gostei (por recente leia-se uns 20 anos… haha)

    Ringo eh totalmente sem sal…. George eu amo, especialmente porque eu cresci numa comunidade hippie e seguiamos os mesmos principios hindus que ele seguia. Gosto da historia dele, de busca espiritual – mesmo que hoje eu tenha escolhido um caminho beeem diferente.

    John eh maravilhoso, absoluto… Nao me conformo que um nego possa ter resolvido dar uns tiros nele depois de ler “The Catcher in the Rye”, nao me conformo dele ter morrido tao cedo…

    beijao

    • Olivia

      Oi, Luana! =)
      Assim, eu gosto demais de Beatles, muito mesmo, é meio difícil entender como alguém pode não achar as músicas bonitas. Mas é como eu disse pra Martha, eu cresci ouvindo, né, Beatles foram a minha educação musical, porque até entao eu nem sei o que eu ouvia (Xuxa? Backstreet Boys? – mais admirava as caras do que ouvia, aliás). Mas é, é exatamente isso que eu acho do Paul: muito chatinho, metido a inteligentão. Acho que isso tem a ver com o fato dele estar numa posiçao social melhor q a dos outros, e na Inglaterra isso é tenso até hj, me parece. Tô pra ver esse do George, mas a cópia que eu *comprei* via torrent tá dando problema, vou ter que *comprar* outra. Mas pelo pedaço que eu vi… argh. E o John… o Paul sempre fala dele como se fosse o encrenqueiro, o rebelde sem causa, o motivo do colapso. Morro de raiva! Mas é, o cara tem umas musicas muito muito muito boas.

      Besos! Vou lá voltar no seu blog q eu parei nos posts da Jordânia!

  4. Pingback: I’m on the top of the world looking down on creation #5 | Nowherelander

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s