I may not always love you

Eu sempre tinha visto e ouvido os Beach Boys com nariz torcido. Via as músicas como bonitinhas mas bobas, algo em plena década de 60 que não falava de nada do que estava acontecendo e tentava preservar um mundo ensolarado e colorido, sem problemas.

Aí eu mudei radicalmente de opinião.

Acho que o que mudou foi a minha visão sobre essa inocência. Ao contrário do que achava antes, essa idéia de preservar, de se manter agarrado à inocência e à simplicidade do mundo, não é nada deplorável. Afinal de contas, quantos adultos ou jovem adultos (essa nova categoria/faixa etária surgida nos últimos anos) não vivem falando por aí que têm uma síndrome de Peter Pan? E quem não ouviu constantemente dos pais, quando era pequeno e dizia que queria ser logo adulto pra poder fazer tudo o que quisesse, que não tínhamos idéia do quão bom era ser criança?

Aliás, “Wouldn’t it be nice”, a música que abre o fantástico Pet Sounds, é justamente isso: a ânsia de ser mais velho e poder sair sozinho, se encontrar com o/a namorado/a.

A verdade é que eu ouço essas músicas com um pesar no coração. Eu fico triste mesmo, apesar de sempre ter achado The Beach Boys uma das bandas mais felizes de todos os tempos. Mas é justamente por eles cantarem sobre um sentimento e uma época em que parecia que tudo era possível – se formos pensar numa época da história, os anos 60, mas mais do que isso, a adolescência de cada um, quando tudo está tão aberto e se apresenta de maneira tão possível. Eles conseguiram escrever letras que não parecem bobas como tantas coisas que vemos sobre a adolescência (tão mal compreendida e estereotipada na maioria das vezes), mas que conseguem expressar todas as dúvidas e incertezas, o final da inocência. E junto com essas letras, melodias tão bonitas que mudam para lá e para cá e os melhores arranjos de vozes do rock.

Se os Beach Boys são o grupo com as músicas para praia e verão e férias, as músicas do Pet Sounds são como aquelas últimas férias antes de você ir de encontro às responsabilidades, às escolhas, ao mundo real.

*Ao som de The Beach Boys – God Only Knows

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3 Comentários

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3 Respostas para “I may not always love you

  1. Uma vez eu vi uma review sobre um cd do Stars (banda que eu AMO), dizendo que a maior ambiçao da banda é embalar dores-de-cotovelo de adolescentes olhando a chuva pela janela – e que, se eles conseguirem isso, abençoados sao os Stars. Bom, era algo nesse sentido, rs. E eu adorei essa review, achei bem parecido com seu post também: nao precisamos levar tudo tao a sério, nem a musica precisa refletir toda essa seriedade (engajamento/ problemas do mundo/ etc e tal). E se os beach boys conseguirem embalar as incompreensoes da nossa adolescência (inclusive aquela que nao passa, soh fica às vezes guardada na gaveta, mas tà là), abençoados os beach boys 🙂

    Mas nao entendi o titulo do post :p

    Beijo Olévia!

    • Olivia

      Pois é, ainda tem isso, que coisas da adolescencia ficam, tipo essa incerteza. Aliás, é por isso o título. É o primeiro verso de “God only knows” e acho que expressa essa incerteza toda. E também fiquei com isso na cabeça o dia inteiro, entao foi meio aleatório, só porque eu estava pensando muito nessa frase/música.
      Mas é isso mesmo. Acho que as vezes eu fico mto extremista, achando q tudo dos anos 60 tinha q ser politicamente engajado pra fazer sentido, mas a verdade é que mexer com sentimentos é igualmente valido, as vezes até mais – além de ser infinitamente mais complicado de colocar de maneira tao bonita em música.

      Besos pra vc!

      • Hahaha Olévia cê vai querer peidar na minha cabeça mas eu achei que o titulo tinha alguma coisa a ver com a Whitney Houston huahauhauhaua
        Mas é que assim, porra, um titulo que evoca a musica mais famosa dela, no dia seguinte à morte dela… fui lendo o post achando que em algum momento cê ia mencionar a muher, e nada.. hahahaha

        Enfim, eu tb às vezes acho que algumas musicas (principalmente as que surgem em contextos politizados) tinham que ser igualmente politizadas. Mas enfim, a Nara Leão (que eu acho muito foda) gravou nos anos 80 um CD com musicas do Roberto Carlos meio que pra contrariar esse povo que fala que musica romântica é musica de segunda – como se musica devesse ser hierarquizada, sabe. E ela disse que cantar coisas “bregas” era muito mais dificil do que cantar coisas consideradas “inteligentes”, que cantar “nao me deixe”, “te amo até a morte” (haha) e coisas do tipo é muito dificil.

        Beijo!

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