“Emma”, de Jane Austen

Há muitos anos atrás eu vi Razão e Sensibilidade, um filme que, pra mim, era pura sensibilidade. Muito bonito, como tudo que se refere à vida no campo (embora não camponesa) na Inglaterra do século XIX. Homens montados à cavalo, aquela vida pacata das mulheres que passam as tardes pintando, cantando e lendo em voz alta pela sala de estar com toda uma platéia envolvida na mesma leitura como nunca mais se viu. Uma época de amores nobres, geralmente apenas impossíveis por causa de algum parente que deserdaria alguém.

Li algumas coisas da Jane Austen há alguns anos, como o próprio “Razão e Sensibilidade”, assim como “Orgulho e Preconceito”. Não posso dizer que me lembre de muita coisa, acho que o que mais me vem à cabeça são mesmo os fimes.

Recentemente mergulhei numa que é considerada uma das obras mais leves de Jane Austen, praticamente uma comédia de costumes: “Emma”. Emma Woodhouse é uma jovem de 20 (ou 21?) anos, linda, amável e portanto amada por todos à sua volta, rica, de boa posição social etc, etc. A história começa logo após o casamento de sua governanta, um casal que, Emma se orgulha, ajudou a formar. Com a ida de sua amiga governanta, ela fica sozinha com seu pai, um senhor que mais me lembra um hobbit em seus hábitos e pensamento, e portanto decide se engajar em nova missão, a de juntar um outro casal – já que ela mesma decidiu que nunca se casará.

Bem, apesar de eu geralmente gostar bastante da Jane Austen e ter também apreciado a leitura deste livro, acredito que ela pecou num ponto muito importante, que é o de fazer com que o leitor simpatize igualmente com a Emma. É difícil entender como uma jovem tão mimada pode ser tão amada por todos ao seu redor e, mesmo ao final do livro, quando tudo começa a se ajeitar (afinal, é a Jane Austen), a felicidade que eu como leitora senti foi mais por causa dos outros personagens do que pela própria Emma. No entanto, talvez esta tenha sido mesmo a intenção da autora, e acredito que possa ter sido este o caso devido às observações da sociedade rural na Inglaterra do começo do XIX.

Grande parte do livro é formada por diálogos, descrições da vida cotidiana naquele pequeno vilarejo e as relações entre os vizinhos. Quando estamos falando em obra de época, eu tenho uma grande dificuldade em alcançar um equilíbrio entre aquilo que é a visão do autor sobre a sociedade (e talvez uma crítica, uma ironia) daquilo que talvez tivesse sido colocado sem intenção de despertar alguma crítica e estivesse mais para o lado de uma descrição (sim, eu sei que não existe uma descrição isenta de opinião, me refiro a uma não intencionalidade do autor). Afinal, para mim, leitora fora daquele tempo, a grande maioria das falas, relações, tratamentos e hábitos é estranha, então como saber o que era normal e anormal à época? De maneira geral, sempre acho as maneiras como uns se dirigem aos outros extremamente polida, formal, e no começo da leitura tenho uma certa dificuldade, mas que ao longo do livro tende a diminuir, à medida que entramos no ritmo dos personagens, nos acostumamos com a maneira de falar e agir de cada um.

Em geral, acredito que esta é uma boa leitura para se ter uma idéia das relações da época, principalmente no que diz respeito às origens sociais, à mobilidade, aos círculos e ao tratamento reservado à cada um de acordo com sua posição na sociedade, definida não só pela riqueza, mas pela tradição. Aliás, tradição deve ser a palavra de ordem na Inglaterra, acredito que até hoje.

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