Walk this way

Outro dia me deparei com uma dessas notinhas em revista falando sobre as cidades brasileiras mais agradáveis para se caminhar. Aparentemente alguma organização internacional reconhecidíssima no assunto (claro) percorreu diversas capitais dando notas para as calçadas, ruas, avenidas, avaliando a experiência de ser pedestre em cada uma.

Qual não foi a minha surpresa ao ver Belo Horizonte ali, em segundo lugar. Say whaaaat?

Enquanto o Detran não vai com a minha cara, eu permaneço pedestre, e tenho sido há vinte e cinco anos. E como ônibus é caro e não se pode depender dele na maioria das vezes, eu caminho enquanto dá. Diariamente ando em média 3km em região urbana, parte em bairro, parte em avenidas. E todos os dias eu penso: “como é que caminha nessa cidade?”.

Ao contrário do que se diz em todo manual de normas de circulação e conduta, a realidade é que o pedestre é o último na lista de preferências. Você está cruzando a rua na faixa de pedestres, o sinal aberto para você, fechado para os carros. No meio da travessia seu sinal começa a PISCAR e pronto, já tem gente arrancando e buzinando. Porque o condutor está no direito dele de te ameaçar a atropelar e mesmo atravessar sinal vermelho. Não tem discussão.

Mas a notinha era sobre calçadas. E eu penso: cadê?

Em nossa cidade atualmente under construction achar lugar para caminhar está se tornando um luxo. E já faz tempo. Ali na Av. Antônio Carlos (status permanente: em obras) a preparação para a Copa do Mundo deixou todos os pedestres desabrigados. Obras da própria prefeitura, veja só. Em determinado momento a calçada simplesmente acabava e as opções eram:

a) voltar;
b) embarcar numa missão suicida em meio aos carros;
c) xingar muito no twitter.

A construção de uma rede louca de viadutos levou ao local uma armação monstruosa de ferro pela qual o caminhante passava sem nenhuma proteçao nem mesmo indicação de caminho. Era o instinto selvagem que guiava em meio àquela selva.

Mas mesmo quando a calçada existe, você não está seguro em cima dela. Toda hora sobe um carro pra estacionar um pedacinho só ali em cima, “só pra sair da rua e não atrapalhar o trânsito”, ou tem alguém entrando e saindo de estacionamento sem olhar para os lados… Ou então o meu preferido: estacionamento de lojas na calçada. E é estacionamento privativo, só para clientes, que na maioria das vezes têm sedãs que ocupam todo o espaço da calçada e é você, que vai caminhando e cantando e seguindo a canção, quem tem que desviar e ir andar na via pública.

E BH é a segunda melhor, hein.

*Ao som de Aerosmith – Walk This Way

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2 Comentários

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2 Respostas para “Walk this way

  1. sem contar tb os bares com as mesinhas oportunistas que te obrigam a passar pela rua pra não passar a bunda na cara da moçada…
    mas qual era a primeira, heim?

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