The Amazing Spider Man

Numa época em que eu queria pagar de intelectual, no auge da adolescência chata (como se existisse outro tipo de adolescência), me descobri amando o filme do Homem Aranha. Lá estava Tobey Maguire com sua eterna cara de menino, todo magrinho, de óculos e com um ar nerd (nerd estilo “excluído da sociedade” e não o novo tipo, “cool”) e uma queda enorme pela vizinha perfeita ao lado. Aí ele sofre um pequeno acidente e adquire super poderes, a princípio difíceis de serem entedidos, mas gradualmente controlados e usados com fluidez. Ótimo.

Cara de desentendido.

Eu também queria ser a Mary Jane, mas acho que tinha a ver com o cabelo.

E eu curtia o drama. O amigo, a MJ, o pai do amigo… Era interessante e complicado, tinha a ver com as relações, com mal entendidos, segredos.

Aí resolveram zerar aquele arco de história e começar uma nova saga do Homem Aranha.

De maneira geral eu gostei do filme. Os atores são bons e servem ao propósito do que parece ser a idéia para o filme, os efeitos estão legais e a história de origem do Peter Parker é bem interessante, voltando à infância e explicando como ele foi parar com seus tios Ben e May e deixando um leve mistério quanto às atividades de seu pai. Neste sentido, este arco é legal por não deixar os acontecimentos muito ao acaso, investindo num background que confere mais profundidade a Peter Parker, tornando mais claro o seu interesse pela ciência e ainda pegando pelo lado do seu drama pessoal com a perda de modo um tanto obscuro dos pais.

No entanto o filme deixa a desejar muito no desenvolvimento geral do personagem. Minha impressão é de que tentaram colocar muita coisa em pouco tempo. Por exemplo a descoberta dos super poderes, que é tratada de maneira tão rápida que a impressão que fica é de que esses poderes não foram encarados com a devida surpresa que deveria vir. Lembro da seqüência com o Tobey Maguire alucinando com sua super visão, músculos, com as teias saindo das mãos/pulsos e daquela parte em que ele sobe o prédio apenas porque seus dedos grudam na parede. Fantástico. É um adolescente surtando com aquilo tudo e ao mesmo tempo tentando se adaptar. Por outro lado, neste filme Andrew Garfield de cara já começa a bordar seu uniforme, bola uma maquininha pra disparar as teias… Tudo bem, tem a parte em que ele não está acostumado com sua força e faz alguma bagunça, mas ele supera isso de maneira bem fácil.

A história da morte do tio Ben também é mais dramática em The Amazing Spider Man, e acho que isso é um ponto positivo que vem a acrescentar na já falada profundidade do personagem, mas ainda assim o desenrolar parece estar em descompasso e é dada pouca atenção à perda e uma ênfase momentânea no filme numa caçada vingativa que mais tende a focar na crescente atividade do Homem Aranha como um novo vigilante da sociedade. Ou como um vilão. E aí pronto, a história muda de rumo e a caçada deixa de ser importante.

“Você acabou de sair do esgoto, mas te quiero djá”

Outro grande problema pra mim é o fio romântico da história. Eu acho que realmente curto o Homem Aranha demais porque ele é um nerd, um adolescente/jovem que não é dos grandes e tem receios. As relações entrelaçadas entre Peter Parker, Harry Osborn e Mary Jane davam um tom de desespero na história, uma coisa quase sem saída e que deixava quase que claro que alguém sairia mal ali, um final lindo não seria coisa fácil. Por outro lado neste novo arco Peter nem tem um melhor amigo e ele e Gwen Stacy já estão de boa, o único empecilho sendo um pai que não curte o Homem Aranha. E assim, desde quando isso é empecilho pra um casal, gente? Romeu e Julieta sendo contada aí desde final do século XVI e alguém ainda acredita que família separa casal?

Bônus problemático: falas clichês em cenas de ação. Pra quê conversar com o monstro que não te entende?

Mais uma vez, o filme não é ruim e para um papel mais dramático o Andrew Garfield foi ótimo (mas eu curto esse cara desde Never Let Me Go, então não sou confiável). Acho que o filme foi corrido, as coisas se resolveram todas muito depressa e isso é especialmente grave se levarmos em consideração a quantidade de problemas que foram colocados (morte dos pais, poderes, morte do tio Ben, interesse romântico, vilão). Além disso, o Peter tinha que ser mais nerd, gente. Mais nerd.

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