I can’t get no satisfaction

Não deu. Infelizmente.

O que parecia ser um lindo gênero literário, cheio de magia e tecnologia (#feiticeirafeelings), acabou se mostrando uma grande decepção. Pelo menos apoiando-me nos três livros que escolhi para serem minha introdução ao steampunk.

O primeiro ainda li inteiro, embora passando corrido por algumas cenas que eram muito aborrecidas. Leviathan, de Scott Westerfeld, talvez me tenha pego de melhor humor e mais disposta a dar uma chance, ainda empolgada com esse novo tipo de história. O segundo, The Girl In The Steel Corset, de Kady Cross, ficou parado ali pelos 12% de leitura. Já sem paciência, Soulless, de Gail Carriger, não conseguiu me prender por mais de duas páginas.

Não sei se é o caso de jogar o steampunk na lixeira. Acho que é mais algo desse tal de young adult, com seus personagens insossos, muito planos. Os personagens não se desenvolvem ao longo da história, eles não são controversos, todos os dilemas psicológicos já estão bem explicados, todo mundo já se entendeu, sacou seus traumas, seus problemas. As descrições são sempre algo do tipo: “Fulana mordia os lábios e franzia o cenho, como sempre fazia quando estava pensando, mal notando seus cachos ruivos que caíam sobre seu rosto cheio de sardas. ‘Eu tenho que provar para meus pais que posso fazer isso, eles precisam perceber que eu não sou a menina de sempre, que eu cresci” e blá blá blá.

Qual é a graça? Onde estão os Julien Sorel (O Vermelho e o Negro) e Lucien de Rumbempré (Ilusões Perdidas) desse mundo? Cadê gente? Cadê sentir sentimentos controversos – ou seja, humanos – em relação a um personagem?

A parte o quesito personagens (sobre o qual pretendo discorrer em outra ocasião), as tramas não são envolventes, ou simplesmente o universo alternativo não funcionou pra mim. Em Leviathan o mundo é dividido entre aqueles que acreditam na mecânica e os que, a partir de Darwin, crêem na manipulação de raças animais e sua utilização para os mesmos propósitos a que as máquinas servem. Pode até ser de certa maneira interessante, mas mal desenvolvido por Westerfeld. The Girl In The Steel Corset traz umas criaturas fonte da vida trazidas de uma incursão ao centro da Terra (Júlio Verne manda lembranças) e uma menina-monstro (não cheguei nem a descobrir o que ela é no livro). Blé. E Soullless tem vampiro. Chega de vampiro. Tirando a parte da minha adolescência que eu posava de gótica, nunca realmente curti vampiros. Ou talvez tenha até achado ok, mas por fim esse bombardeio de N tipos dessas criaturas tenha simplesmente sido demais.

No entanto, continuo achando que o tratamento do XIX com uma ênfase no fantástico tecnológico poderia ser lindo, se bem tratado. Porque o XIX será sempre maravilhoso, embora podre.

*Ao som de The Rolling Stones – (I can’t get no) Satisfaction

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