Teenage angst: dois livros

Sobre crescer e comentários de dois livros sobre o tema: Cotoco – o diário (perversamente engraçado) de um garoto de 13 anos, de John van de Ruit; e As vantagens de ser invisível, de Stephen Chbosky.

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Existe uma época da nossa vida em que passamos por algumas transformações tão assustadoras que nosso chão pode como que sair de sob nossos pés e de repente tudo se torna pergunta e dúvida. E normalmente ninguém liga muito, porque já é lugar comum que esta época, a adolescência, “é assim mesmo”, um sem mundo de questionamentos sobre nada importante.

Eu nunca liguei muito pra essa baboseira toda, é verdade. Acredito que fui uma adolescente difícil, mas isso aconteceu só porque eu sou mesmo um ser humano dificil. No entanto, não deixo de pensar que esta é uma idade bastante importante no desenvolvimento de cada um, sobretudo levando em consideração nossa época, na qual temos definidas as noções de infância, adolescência e (menos definida)… como se refere à época em que somos adultos? Mas enfim. Se aquele período entre os 11 e os 18, 19 anos não significa que viramos adultos, pelo menos se refere à primeira grande passagem que vivemos: deixamos de ser crianças. E com isso deixamos de ser inocentes (mas ainda não entendemos nada), passamos a ter responsabilidades (mas somos irresponsáveis demais), nos rebelamos contra o que consideramos errado (mas somos idealistas demais), e se somos homens temos que começar a namorar mas se somos garotas ainda é cedo. Muitas contradições.

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Recentemente li dois livros sobre o assunto e que têm mesmo um formato bem parecido. Comecemos do começo.

Os absurdos e o caos de meninos vivendo sem os pais.

Os absurdos e o caos de meninos vivendo sem os pais.

Cotoco vem em forma de diário e acompanha o primeiro ano do garoto John Milton (apelidado Cotoco), de 13 anos, num internato elitista para meninos na África do Sul. O livro se concentra, de maneira cômica, nas aventuras dos outros 7 colegas de quarto de Cotoco, suas escapadas noturnas para nadar, perseguições à fantasmas, implicâncias com outros alunos, etc. Mas Cotoco também fala de suas primeiras aventuras amorosas, pergunta sobre o que é o amor e quando saber que se está amando, questiona sobre o que é certo e errado, fala sobre amizade e coloca os professores ali no meio, todos com suas falhas mas ainda vistos de longe, adultos que são.

O drama adolescente: ser "diferente"

O drama adolescente: ser “diferente”

As vantagens de ser invisível, por sua vez, já tem uma proposta mais séria. Embora seja muito parecido com um diário, na verdade o que temos são cartas, ainda que apenas de uma parte. O garoto Charlie, de 15 anos, escreve sobre o começo do High School e os medos que tem. Aqui também todo o primeiro ano é acompanhado, mas Charlie começa já com um trauma, o de ter perdido seu amigo no ano anterior, que cometera suicídio. Charlie é um menino problemático que já passou por tratamentos psiquiátricos sem sucesso e que descobre a amizade e, claro, o amor.

Não vou entrar nos méritos de cada livro e nem discutir se um copiou o outro ou não (de fato, talvez eles tenham copiado um outro que ainda não li). Só penso serem duas leituras interessantes para quem está vivendo este período ou para quem convive com adolescentes. À parte aspectos particulares (em Cotoco temos o contexto histórico, com Nelson Mandela sendo solto após 27 anos na prisão e os conflitos políticos que podem ser vistos mesmo dentro do microcosmo escolar; já Charlie sofre de problemas psicológicos que não são necessariamente comuns), existem alguns temas que são amplos. A amizade, por exemplo, nesta idade toma proporções muito maiores do que na infância e a vida passa a orbitar menos ao redor da família, enquanto o círculo de amigos passa a tomar cada vez mais importância. Isto talvez tenha relação com a visão em relação aos adultos, que passam de seres praticamente infalíveis para seres humanos, capazes de erros e emoções. É interessante notar isso em ambos os livros sobretudo quando se fala dos professores e da relação que se estabelece entre eles e os garotos (em ambos os livros os professores de inglês dão especial atenção aos personagens principais, indicando livros e os convidando a discutir as leituras extras). Além disso, ambos os livros dão voz ao adolescente, colocando eles como narradores de suas próprias aventuras, histórias e sentimentos.

É verdade que este tema, o coming of age, deve ter inúmeras obras e pode ser abordado das mais diferentes maneiras. De qualquer maneira foi interessante para mim voltar à estes temas e questionar mais uma vez algumas coisas que, parece, como adultos temos que ter como certas.

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*Este foi um texto teste sobre leituras e faz parte da tentativa de tentar escrever e colocar de forma mais clara as idéias sobre os livros que leio.

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2 Comentários

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2 Respostas para “Teenage angst: dois livros

  1. Lilian

    Vc viu Moonlight kingdom? Nào fala explicitamente disso, mas è sobre esse momento. Achei otimo!

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