I’m on the top of the world looking down on creation #2

Essa semana, seguindo o clima de instrospecção provocado pela chuva e tempo nublado, pouca música foi ouvida, mas o que escutei foi triste – ou provocou sensações mais pro lado do cinza mesmo.

– La Maza (Silvio Rodriguez)

As minhas raízes andinas sempre me colocaram em contato com umas músicas que não circulam muito por aqui. Mercedes Sosa é conhecida mundialmente, mas Silvio Rodriguez parece que nem tanto, pelo menos aqui no Brasil. Essas músicas, além de tocarem muito no assunto das culturas indígenas, de uma particularidade e identidade latinoamericana, também remetem sempre à importância do cantor (ou do intelectual), no sentido de que este teria uma missão social. Eu gosto bastante dessa idéia. Mas aqui nesta música parece que vai para algo mais do que isso, um tanto mais profundo. É sobre acreditar naquilo que se faz, de dar um sentido buscado não em algo superficial, mas numa justificativa que parte de uma reflexão pessoal sobre a relação entre a o fazer (seja ele o que for) e o social.

– Duerme Negrito (Mercedes Sosa)

Essa música não é da Mercedes; não se sabe de quem é, mas ela foi “resgatada” por Atahualpa Yupanqui, que por sua vez escutou numa viagem ao Caribe. É uma canção de ninar, e a mãe coloca o filho pra dormir antes de ir trabalhar, prometendo trazer um monte de coisas. Acho uma imagem bonita, que fala de uma relação familiar, do trabalho, das relações sociais (“y si el negro no se duerme, viene el diablo blanco e zás!”)… Minha mãe cantava essa música pra mim, não quando ela saía para a labuta, é verdade, mas eu entendia. Acho que com essa música ficou claro para mim porque eu não via tanto minha mãe, porque eu ia pra escolinha de manhã cedinho e só saía quando estava escurecendo, às vezes já de noite. Entendia porque eu de vez em quando tinha que ficar com uma pessoa que eu mal conhecia, porque almoçar com ela era só nos fins de semana. E entendi desde muito cedo tudo o que minha mãe fazia e tudo o que ela era.

– Lost! (Coldplay)

Estou roubando porque na verdade escutei essa música só uma vez, mas ela foi importante porque me trouxe um monte de lembranças. Quero dizer, ela me trouxe mesmo uma lembrança, mas que explodiu em vários outros pensamentos. Porque a lembrança era de uma conversa de alguém que se sentia de alguma forma perdida, mas não exatamente, as coisas não estavam dando certo, mas não era uma derrota. E eu fiquei pensando no agora também e aí tudo ficou demasiado pessoal pra sair escrevendo por aí assim. Mas já deu pra entender que esta é uma ótima música pra não se sentir muito jogado no espaço.

E como foi a semana pros outros?

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2 Comentários

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2 Respostas para “I’m on the top of the world looking down on creation #2

  1. Lilian

    acho atè que a Mercedes tà parecida com a sua màe nesse video…
    nào escutei nada (a nào ser um pouco do requiem de mozart hoje e uma valsa do floco de neve, bem legal!), mas fiquei mesmo foi com vontade de escutar mais mercedes sosa!!

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