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Como ser mulher

Existem tipos de mulher. Tipinho, tipão, estereotipada, que gosta de tipos, que fala tipo. Sou livre para escolher. Por aptidão é mais fácil, mas também posso trabalhar para ser quem eu quiser.

[Versão corrigida:]

Existem tipos de mulher. Tipinho, tipão, estereotipada, que gosta de tipos, que fala tipo. Sou livre para escolher. Por aptidão é mais fácil, mas também posso trabalhar para ser qual tipo eu quiser.

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Decomposição

Outro dia fiquei pensando em quem eu sou. Por que sou e como sou o que sou. Sem conseguir me ver como um todo (uma toda), tentei ver as particularidades. Quebrei-me em pedaços, em unidades menores, para facilitar a análise. Procedimento científico. Fazer de mim ciência. Ter ciência de mim.

Me decompor para existir.

Eu sou carne. Carne decomposta é morte.

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XXXI Guerra mundial

Natal. Portanto:

– Ah, não, um milhão é muito pouco! Eu daria no mínimo cinco milhões.
– Um milhão tá excelente, pegando o boi ainda.
– Bom, eu me importo com a família, sabe.

Pronto.

 

O assunto era loteria.

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Eu abria as portas de um armário para entrar no lugar som

Dava para dizer que ouvir música era uma atividade. Não era algo que ficava tocando enquanto alguém cozinhava, limpava a casa, conversava, lia – era a atividade em si. Na minha casa o som ficava na sala. O som, aliás, era um lugar: com aqueles sistemas complexos e vários aparelhos ligados uns aos outros, o som tinha o seu próprio espaço. Eu abria as portas de um armário para entrar no lugar som. Naquele cômodo compartilhado com os outros, competindo com a televisão, eu colocava então os fones de ouvido (enormes, duas meias-esferas coladas às orelhas), me virava para o próprio aparelho e pronto.

Ali, sentada ou deitada no chão, eu passei várias horas da minha vida. Eu via o som nos ponteiros do medidor de VU. Eu via a música nas capas e nos encartes dos álbuns.

 

***

Há alguns meses atrás aconteceu de eu não ter vontade de fazer absolutamente nada das coisas que eu normalmente faço quando estou sozinha, com preguiça e quero me divertir: não conseguia me concentrar para ler, ver filmes ou séries. Nada me interessava. Mas a eventual música de fundo me prendia, me hipnotizava, até que eu me rendi e aceitei que o que eu estava fazendo naquele momento era apenas ouvir música.

Ficava deitada e olhando para o teto, ou ia para a varanda e via a cidade, mas não é a mesma coisa que era antes, sem os objetos do som. É ótimo, mas é diferente. Os olhos vagam, a gente vaga.

***

Já falei há um tempo atrás que tendo a apagar a letra quando escuto música. Acontece. É que a melodia, os instrumentos, o ritmo – tudo isso é muito mais imediato, é o primeiro sopro quente que me chega e domina, e geralmente eu me deixo levar por essa primeira satisfação, por esse pulsar que me informa até de como mover meu corpo. Mas tem a letra.

Quando eu era adolescente o CD ainda tinha seu lugar de destaque. Um item desejado, pensado e planejado dentro do minguado fluxo financeiro dessa idade. Foi a última vez que a música foi um objeto, depois dos vinis e das fitas cassete, e se bem feito, o CD era um caminho para a imersão total.

Porque os encartes tinham as letras (quando não, era uma tristeza sem fim, nos sentíamos todos enganados), e aí a música pegava os olhos também. Sim, há outras maneiras de ver música, com as capas, as fotos dos artistas, as performances, os videoclipes… São outras representações. Mas ir acompanhando a letra era como vestir a música, se apropriar da música – era estar ali só para isso.

***

Lembro que eu ficava vidrada a cada novo passo da música portátil: quando ganhei um walkman, um discman, um mp3 player… Eram possibilidades de não me separar das músicas que eu amava, mesmo longe do lugar e dos objetos do som. Aquela velha história de querer ter trilha sonora para a vida.

A música portátil tem algo de maravilhoso mesmo. Mas eu ando gostando da música para olhar, pegar, falar.

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Carrinho de corda não disparado

Este é um texto de retorno, mas não é um texto de anúncio de retorno. Muitas vezes faço promessas, coloco objetivos, juro para o público imaginário de qualquer coisa que eu coloque na internet que “agora vai”. Nunca vai, nem volta, nem nada. Mas de alguma forma estes posts não escapam de ser promessas. Este também.

Escrever é bom. É sofrido também, quando a gente quer escrever bem – mas quando é só uma questão de escrever, sem qualquer qualificador, é bom. Então segue:

Issjdflai sdfoerqak apaeorjf apojakfjd apoqeonzk nvjdfii isdf js sodifjapef: “jskdfjsleinf, kdfjskdf Pfksdjjss?”. JJJJJJJJJJ! Gnfsdfo fjk dkfjskd – sjdfalks – mkfgisur, qjdskd, sdhfskdfjsdhfjs oweirhfj sdhf aisu uqwelf zjhje uyuyuyuyuy! Mq? KJgdusidi asdjoie Jsdjh Hjfsd, sdfsjidfiadn; çadsldkji sdfhqieqj cgwye reyj sueh iweyr… Thfsjd efoefal ieryw qyadbo sdfiyqwhj asjdis utakdj seoijral (jfshdk adifqoeuq afsbni urufni weuhn ierhtnv nskdfn, efhskjf, weoirskgknd, sdifsdf etc.), fgadksf qierjqsd 1986, sdfj aeiaj ydbfsjd 45, i.e., skdjfdf dhgdiunekj.

***

A vantagem de escrever é que teoricamente me ponho de livre de qualquer definição. Porque a gente busca definição, ou eu busco (ou tenho buscado). O nome deste blog, criado se não me engano em 2006, 2007, contudo, permanece adequado em sua inadequação a qualquer coisa: remete ao não lugar, não pertencimento, não enraizamento. Um dia decidi que precisava fazer na internet algo com fronteiras, com limites, com etiqueta. Foi quando larguei este espaço e fui falar de literatura. Sou feliz – com intervalos – fazendo isso. Ao mesmo, transformei o ato de escrever para a internet em algo segmentado, com propósito (que ridículo): só falo de livros. E escrever era liberdade, libertador, exercício…

Reabri minha conta aqui no WordPress, passeei pelos posts de outros blogs que eu supostamente assino (leio nada) e dou de cara com a Maura C. renomeando-se para “Falta-me foco, apenas isso“. Fiquei pensando na falta. No foco também. Falta-me foco para as coisas que já existem, ou mais precisamente para as que eu já conheço. Tenho ânimo para não sei o que. Aquele momento em que o avião liga as turbinas sem entrar em movimento, quando damos corda no carrinho de brinquedo e antes de soltar as rodinhas. O que eu sei que existe e que considero enquanto atividade interessante, não me interessa. Digo, não me interessa só uma coisa; eu perambulo pelo mundo, me fixo, sugo, me canso, sigo. A lógica do uma coisa de cada vez, uma especialidade, às vezes parece mais um passeio de cela em cela.

Então eu vou escrever sem saber o que é que escrevo. Vai continuar assim.

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Paper Doll

Como todas as pessoas do mundo, eu sou contraditória.

Ao mesmo tempo em que quero viver uma vida mais simples e talvez até com sol (outro dia tive um estranho desejo de praia), que fico pensando nessa sociedade porca e consumista, babo com símbolos do que há de hiper norte-americano e capitalista no mundo. É assim com meu amor pela Disney (eu sei que como empresa aquilo ali fede) e com aqueles clássicos de Hollywood, sobretudo musicais. Eu adoro. A-DO-RO.

E então aparece um convite para um evento no qual o traje (opcional, mas para mim o possibilidade de fantasia é obrigação) era anos 1940. Challenge accepted. Enquanto algumas décadas são facilmente lembradas, outras ficam no esquecimento e são um verdadeiro desafio. O que diabos seria uma vestimenta dessa época e como eu poderia reproduzir isso?

Caí dura pra trás ao vislumbrar a possibilidade de fazer o cabelo da Veronica Lake.

Ultimate diva

Ultimate diva

Pra você ver. Eu sou a personificação do low maintanance quando o assunto é cabelo (e mais um monte de coisas), mas fico mucho loca com a ideia de poder me vestir/enfeitar desse jeito. Claro, dado minha falta de habilidades nem foi possível ser fina desse jeito, mas o ato de escarafunchar a internet em busca de roupas e cabelos fazíveis (significa “possível de ser feito” de acordo com o Novíssimo Dicionário Olévea) me fez mudar a opinião completamente sobre os anos 1940. Aquilo ali foi a década das divas. Diva clássica mesmo.

Porque logo depois a coisa foi ficando mais simples. Parece que tudo foi se tornando cada vez mais de massa, nada personalizado. Faz sentido se a gente pensar no american way of life que era a possibilidade de todos (pelo menos na teoria) terem acesso ao mesmo estilo de vida, aos mesmos produtos. Nos anos de guerra e nos que logo sucederam, era necessária aquela elegância no aparentemente mais simples possível, com menos tecido, botões, zíperes, seda…

Anos 1940

Anos 1940

As roupas só ficam bem em quem aderiu à magreza da época, provavelmente inescapável devido ao racionamento de comida. É interessante pensar como vão se pensando em alternativas, pois se aparentemente a feminilidade normalmente expressa pelas roupas e forma do corpo estava ameaçada, alargar os ombros e marcar a cintura, por exemplo, foram maneiras de acentuar o corpo feminino. Agora, os cabelos é que são um mistério pra mim. Não sei se é porque eu sou totalmente uma zero a esquerda quando o assunto é penteados (minhas mãos não servem para esse minucioso trabalho e meu temperamento nunca foi caracterizado pela paciência), mas a demora para cachear meus cabelo naquele estilo ali foi tanta que fico pensando se essas mulheres passavam horas todas as manhãs nesse ritual todo. Tendo a pensar que a culpa é da minha zerolice mesmo.

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Pastel

Atenção: este post é sobre cabelos. Cores. Coisas superficiais. You have been warned.

***

Desde que vi Kelly Osbourne assim meu coração começou a se agitar e meu cérebro se empenhou na tarefa árdua de repensar cores de cabelo.

Cabelo cinza com lilás é possível.

Cabelo cinza com lilás é possível.

Primeiro é preciso um momento pra gente se recompor, porque a última lembrança que eu tinha dela era algo assim:

Não que ela fosse feia, mas...

Não que ela fosse feia, mas…

***

Desde que era pré-adolescente tenho um desejo não realizado de cabelos coloridos. Na virada para os anos 2000, no entanto, cabelo colorido era uma coisa de clubber, esse grupo em extinção. Era também meio mal visto no nosso lindo país conservador, associado a dorgas, mano. Sem contar que a internet, ainda engatinhando, não continha lá tantas informações como hoje, sobre onde conseguir tintas e, sobretudo, como diabos pintar o cabelo. Eu me virava com o que tinha: uma espécie de rímel azul que eu passava em mechas, deixando aquele aspecto sujo, duro e tosco tão característico da idade e terror dos pais.

Mas as coisas passam. Eu ainda tentei ser ruiva (olha só que coisa), mas dado meu cabelo super escuro nada pegava direito e depois eu ficava com um cabelo ressecado e com cor de queimado. Deixei pra lá.

Aí de repente eu começo a ver um monte de cabelos assim:

Pastel. Pastel pra todos os lados!

Pastel. Pastel pra todos os lados!

E meu antigo desejo voltou e decidiu ligar pro salão.

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