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Da série: Porque devemos amar a internet

Outro dia eu estava desbravando o mundo maravilhoso em busca de uma música. Não era uma música qualquer. Era um minueto.

Acho que já disse em algum post sobre fitas cassete, mas tenho que reafirmar que aqui em casa elas reinaram durante um bom tempo como absolutas. Ninguém aqui tinha dinheiro pra sair comprando LPs e, mais tarde, CDs, então as fitas eram o porto seguro, a garantia de poder escutar a mesma música incontáveis vezes. O único problema era que meu pai, quem gravava tudo que achava bom, nunca foi fã de anotar os nomes das músicas e artistas na capinha. Assim, numa era pré aplicativos que descobrem o nome da canção, escutávamos tudo sem ter idéia do que era.

Havia uma fitinha só de minuetos. Sério. E a gente colocava pra escutar e adorava, dois em especial. E outro dia vendo um filme (A Royal Affair) eis o minueto que a gente tanto gostava e que ficou perdido no tempo. Terminado o filme fui em busca das informações, decidida. Mas eis que encontro isso:

E esse ainda está bonitinho. Tem um monte. Um monte! E pelo que pude notar são vários clubes e associações ao redor do mundo que se reúnem e promovem bailes nos quais todos vão à caráter e dançam como na época que pretendem representar. Tem de tudo: minueto, danças medievais, cotillon…

Mas para ficar com uma imagem mais bonitinha, aí vai de um grupo profissa. E era justamente esse minueto que eu estava procurando:

*Ao som de Haendel – Wassermusik

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You’ve got to hide your love away

Margot na estante

De vez em quando eu sinto a necessidade de afirmar meu amor por gatos. Este post é sobre isso.

Eu não sei de onde surgiu, mas existe essa idéia de gato de biblioteca. Aquele gatinho escondidinho entre os livros, confortavelmente instalado numa prateleira. A primeira lembrança que tenho desses gatos cultos vem de Castelo Ra-Tim-Bum, que contava com o Gato Pintado tomando conta da Biblioteca do Castelo. Todo os dias (ou episódio) ele lia uma poesia diferente. Quero dizer, ele repetia, mas tinha um número razoável, talvez limitado porque acompanhava uma animação feita especialmente para aquilo. Eu lembro que não curtia muito – eu nunca curti poesia assim (todos morrem). Sempre tinha esperança que aquele quadro se desenrolasse em um Senta que lá vem a história. Eu adoraria ter ouvido um gatinho, ainda que marionete, contando histórias.

Outro dia também vi um livrinho chamado Dewey: um gato entre livros, que tem um título já bastante sugestivo. Pelo que vi a autora é uma bibliotecária contando da experiência de encontrar o gatinho Dewey dentro da “sua” biblioteca.

Eu gosto dessa imagem, do gato te acompanhando na leitura, no ambiente quieto da biblioteca, esperando alguém chegar pra ler um livro com ele. (Se eu subtituísse “gato” por “criança” acho que seria considerada uma pessoa normal.) No entanto o que é retirado disso é a simples informação de que gatos querem ser humanos…

E assim seguem os gatinhos sendo execrados pela população que acha que você tem que escolher entre gatos e cachorros e, tendo tomado seu lado, deve odiar o outro. Os felinos então alimentam essa idéia de serem cultos, ao contrário dos cachorros, que são amigos leais (só dá pra ser um dos dois), e passam o dia devorando os livros e as informações que farão com que um dia eles dominem o mundo. Como se os gatos tivessem essa mentalidade de usar o conhecimento para algo assim. Eles simplesmente querem o conhecimento pelo conhecimento, querem ser intelectuais bon vivants. True story.

Enquanto isso, neste recanto das Minas Gerais, a gatinha Margot continua seus estudos. Filha da Faculdade de Filosofia e Ciência Humanas da UFMG, ela agora se aninha na minha estante procurando seguir sua vida de erudita. Ou ela queria só o quentinho do decodificador ali, afinal está frio. Ou ela só queria esconder. Ela curte isso.

Esconde esconde

* Ao som de The Beatles – (You’ve got to) Hide Your Love Away

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Baby it’s cold outside

Parece que BH atingiu o ponto de maior frio neste inverno. Os dias estão nublados, a claridade diminuiu e tem um vento constante atravessando nossos modestos casaquinhos e indo arrepiar a espinha.

Enrolada aqui em cobertores, mando a playlist de frio.

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Monday, monday

“Pode desligar o carro.”

Assim terminava o meu terceiro exame de direção, assim, do nada, após uma baliza estranhamente bem feita na primeira tentativa.

YES!

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I’m gonna get dressed for success

“Aqui nós seguimos um dress code, o que significa que você terá que vir de traje social.”

***

Quando falamos de aparência, pensamos em duas coisas: de um lado, temos um grupo de pessoas que considera desleixado aquele que não se interessa por moda, de outro aqueles que classificam os que se importam com a aparência como fúteis e superficiais.

Como eu julgo as pessoas mesmo (assim como sou julgada), vou dizer logo de cara que não gosto de nenhum desses dois extremos. Porque extremos, como se sabe por aí, nunca são bons.

***

“Não precisa ser terninho, não é tão rigoroso assim: uma blusa mais arrumada, calça social e sapatinho de salto.”

***

Então eu comecei a me importar com o jeito de me vestir. Isso não significa que eu acompanhe revistas de moda, que tenha como ídola absoluta a Gloria Kalil nem Anna Wintour, que eu só me importe com as últimas tendências da moda (o que é isso, meu deus???), que corra pra comprar a bolsa, o sapato, a calça ou a estampa do momento. Eu vejo coisas que estão por aí e, se eu gosto, eu quero ter também.

Eu também não gosto de usar o que todo mundo está usando, mesmo que inicialmente eu tenha gostado daquele item em particular. E eu fiquei pensando nessa bobagem minha, até chegar à conclusão de que não é bobagem.

De uma forma ou de outra, o jeito de vestir diz alguma coisa sobre a pessoa. Ou pelo menos eu acho que é assim no meu caso. O maneira de vestir acabou virando uma forma de se expressar visualmente, e sinceramente eu não vejo nada de errado com isso. Eu não uso decotes, não curto salto alto nem brincos grandes. Na maioria das vezes não uso essas coisas porque não acho que me caiam bem ou, no caso do salto, porque eu gosto de conforto, mas na maior parte dos casos eu simplesmente me olho no espelho e… não tem nada a ver comigo.

O uniforme é uma medida para tentar igualar todas as pessoas, a princípio. Mas, mais do que isso, quando temos um uniforme de trabalho que não existe devido às características específicas do trabalho (como macacões, capacetes, calçados adequados), mas simplesmente por política da empresa, fico pensando nele apenas como uma maneira do empregador te dizer o que vestir e o que não vestir, de realmente possuir seu corpo e mais do que ditar onde você vai estar naquelas horas que ele te tem, mas também definir seus gestos, sua vestimenta, de fazer de você uma propaganda ambulante.

Agora, a roupa social é uma coisa que me intriga mais ainda. Porque tem mais a ver com a imagem que a empresa quer passar, e geralmente é uma justificativa de “temos que demonstrar seriedade” ou “somos uma EMPRESA”. Bem sabemos que o embrulho não dita necessariamente o conteúdo, mas a roupa social vai além – ela presume que quem a usa deve, pode ser levado a sério. Que a pessoa de terno e gravata realiza um trabalho de maneira mais competente do que quem está de Converse. Que a mulher de terninho é mais respeitável do que a de calça jeans. Em todos os aspectos o traje social visa colocar acima do resto e apenas polariza – existem dois tipos de profissionais: os bons, vestidos de acordo com a norma, e os ruins, que se vestem como querem.

***

Vista-se socialmente você também e faça parte de um time de sucesso!

*Ao som de Roxette – Dressed for Success

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Tomorrow may rain so I’ll follow the sun

Uma das coisas mais importantes que eu já aprendi é que o sol me influencia muito. Deve influenciar muita gente, visto a profusão de músicas com esse tema e associação invariável de sol com coisas positivas, felicidade, ursinhos pulando e por aí vai.

Mas eu fico impressionada com o tanto de gente de conheço declarando um amor incondicional pelo inverno, quando finalmente podem usar suas botas e casacos e cachecóis e quem sabe até toucas. A maioria dessas pessoas vivem aqui na ensolarada Belo Horizonte, que tem normalmente um inverno com sol firme, claro e mesmo quente (!) das 7h às 17h. Neste lindo dia de inverno, por exemplo, o termômetro marca 27˚C e prevê uma mínima de 14˚C. Me lembro de um inverno em que tivemos algo tipo 7˚C, e é a temperatura mais baixa registrada aqui na terrinha que eu me lembre. E realmente, passar o mês de julho oscilando aí até os 15˚C está longe de me deixar realmente triste, desde que o sol esteja tão brilhante quanto hoje e o céu neste mesmo azul.

Eu descobri que meu humor oscila de acordo com as condições climáticas quando vivi quatro meses de neve, temperaturas negativas e sem quase nunca ver diretamente o sol. Quando os carros só desligavam seus faróis por volta das 9 da manhã e os acendiam de novo invariavelmente às 16:30, muitas vezes antes. Quando a luz artificial dos interiores nunca estava desligada, porque a que entrava de fora não era suficiente. Quando eu sonhava em poder sair espontaneamente de casa, sem precisar vestir várias camadas de roupas pra agüentar (só agüentar) o frio lá de fora e indo lá fora só como passagem de um lugar pra outro, nunca pra ficar lá. Eu descobri que curto picnics, passear de chinelo e andar sem estar encolhida.

Eu amo o sol.

*Ao som de The Beatles – I’ll Follow the Sun

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It’s the circle of life

Amar é muito difícil. Quero dizer, é fácil, mas é sofrido.

Por aqui temos muito amor por gatinhos. Sério. Gatos são legais, é tipo mais uma pessoa mesmo, porque eles ficam de mau ou bom humor, têm seus dias estressados e os que estão muito carinhosos, tem dias que preferem um pouco de tempo pra eles mesmos e em outros não conseguem ficar longe de você e querem companhia o tempo todo. E não são todos iguais – cada um é de um jeito.

A primeira gatinha a morar com a gente foi a Cléo. Ela já veio com uns 4ou 5 anos, era uma persa branca que tinha sido de um vizinho que criava gatos pra vender, mas como ela não podia mais procriar, veio pra nossa família. Ela era calma e tinha um ar de realeza, porém bondosa. Quando adotamos a Margot, vinda diretamente da Fafich, esta criatura amamentou! Ela se foi uma semana antes de eu voltar do intercâmbio, e na verdade acho bom não ter visto nada porque essas coisas me afetam muito.

No ano passado, querendo suprir a carência da Margot, que passou a reinar solitária, trouxemos a Mignone. Essa deve ser a gata mais gente fina do universo, sério mesmo. Muito brincalhona, mas extremamente sem noção. Enquanto a Margot, em toda a sua elegância de puma, passa pelas prateleiras e mesas sem tirar uma pluma do lugar, a Mignone é do tipo que derruba absolutamente tudo. Ainda mais se ela está hipnotizada por algum insetinho voando. Diz meu pai que ela tem um parafuso a menos, o que parece ser verdade.

Há duas semanas ela está desaparecida. Sabe, amar é muito difícil, porque a gente sofre demais com essas coisas. Olhos inchados? Oi? Confere. Se ela está no céu, foi pro lindo céu dos gatos onde acredito que existam muitos novelos de lã que rolam pra lá e pra cá. Senão, alguém pode ter adotado e amá-la como se deve.

Mas enquanto um vai, chegam outros. A Gata, que achamos na rua um pouco antes da Mignone nos deixar, trouxe em sua barriga outros três seres felinos, que agora rolam pra lá e pra cá, tentando se manter em quatro patas.

Gatchénho

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