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As long as you love me

Outro dia eu me deparei com este vídeo:

…e fiquei confusa.

***

Como uma criança dos anos 90 (eu nasci nos 80, mas minhas memórias só começaram a existir a partir dos 90), eu não poderia ter deixado de escapar de uma das febres mais marcantes da época: boybands.

Na verdade essa onda de grupos pop cheios de gente entrou na minha vida com Spice Girls, que eu lembro de amar do alto dos meus 9 ou 10 anos de idade, quando tudo na minha turminha virava número de dança e eu tenho certeza que alguma menina que fazia aula de jazz (algo que até hoje não sei direito o que é e porque diabos se chama jazz) montou um número para que todas as garotas dançassem em homenagem a chegada das férias (ou qualquer coisa assim, porque tudo era motivo para essas danças).

Mas o que bombou mesmo nos 90 foram as boybands. E aí que eu esbarrei num link listando 63 reasons why boybands were better in the 90’s. (Se você viveu nessa gloriosa época, clique. Vale a pena. Se não viveu, também clique. Vale sempre a pena.)

Eu conheci Backstreet Boys graças à minha professora de inglês da quinta série, uma mulher esquisita que ensinou cores, frutas e verbo to be, além de passar a música As long as you love me 41 vezes. E aí pronto, eu estava perdida. Depois disso devo ter passado uns dois anos em amor absoluto pelos caras, achando que o Nick era uma graça e o Kevin um dos homens mais lindos e sensuais a andar pela face do planeta. Eu curtia aquele clipe com eles dançando na chuva, acreditava no corte de cabelo do Nick e não entendia como o AJ tinha sido encaixado num grupo de caras bonitos. Mas nem tudo foi perdido: devo à Quit playing games with my heart alguns dos meus primeiros conhecimentos de inglês, depois que resolvi traduzir toda a letra para saber o que eles estavam cantando – e achei tudo lindo, apesar dos erros de tradução que mais tarde descobri.

Eu fiz meu pai pegar As long as you love me no violão e me ensinar a tocar (na época meu repertório também incluía Antologia da Shakira, House of the Rising Sun dos Animals, Hey Jude Yesterday dos Beatles – eu era uma criança em conflito), antes de ganhar o CD de presente peguei um emprestado e gravei ele todo em fita cassete e depois que tinha o CD descobri que ele também funcionava no computador com alguns extras, incluindo vídeos de entrevistas que eu sempre assistia apesar de não entender absolutamente nada do que eles estavam falando. Eu ia para a casa da minha BFF na época, Nathália, e nós duas ficávamos escutando deitadas olhando pro teto, dando gritinhos e por aí vai.

Depois ainda vieram algumas outras. N’sync apareceu para mim como uma cópia descarada. Quem eles achavam que eram para ousar imitar os caras de verdade? 5ive, Westlife, Ultra (esta eu tive que procurar o nome, só lembrav da música)… E ainda fui cavar as raízes do movimento: Take That.

Eu não me lembro exatamente do momento que eu decidi que não gostava mais dessas coisas, só sei que de repente minha onda era Led Zeppelin, Metallica… Mas quando foi que tudo o que eu achava lindo se tornou ridículo?

***

Atualmente a nova onda da garotada é um tal de One Direction, um grupo de garotos certinhos, que usam camisa pólo e calças kaki (ou estão muito perto, porque essa é a imagem que fica) e têm clipes em praias com a galera do bem curtindo muito. O Nissim Ourfali curtiu tanto que até parodiou para o seu Bar Mitzvah.

Mas gente, os nossos queriam ser pimps.

Isso é que era ser sensual.

*Ao som de Backstreet Boys – As Long As You Love Me

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Bigger than my body

Desde que o mundo ao meu redor é digital e o que é palpável mesmo parecem ser apenas os instrumentos reprodutores de mídias (pelos quais podemos chegar a pagar muito caro), eu me pego numa dúvida eterna de como agir perante o valor do virtual.

Os mais radicais me chamarão de marxista (que parece que já passou de conceito a xingamento automático – mas eu atribuo isso a esses mesmos radicais que têm uma visão demasiado estreita daquilo que não conhecem), mas o fato é que tenho uma dificuldade imensa em pagar por um arquivo digital. E eu sei que os custos de um filme, livro ou uma música ultrapassam aqueles do material que resulta em um DVD (sou antiga? Já é tudo Blu-Ray?), um CD ou um livro de papel, mas num mundo onde tais coisas parecem tão flutuantes e descartáveis, fica difícil atribuir o mesmo valor que antes me parecia tão inquestionável.

Cadê o trabalho?

Não vou entrar muito no meio musical, porque aquilo ali me parece uma bagunça muito grande e, pensando com os meus botões, com o barateamento da mídia em si e considerando que arquivos digitais também não são necessariamente comercializados diretamente pelo artista nem gravadora (vide iTunes), talvez as coisas saiam “elas por elas”.

Mas recentemente fiquei pensando nos livros. Veja bem, desde maio deste ano eu sou a feliz proprietária de um Kindle Touch, que até hoje me trouxe de custos apenas seu próprio valor, visto que tudo o que está ali dentro foi adquirido não pela Amazon, mas por outros canais por aí (você sabe do que estou falando). A questão é que, antes de saber que existiam outras maneiras de conseguir arquivos para o Kindle eu ainda considerava seriamente a compra do aparelho, pelo simples fato de que não teria que esperar tanto tempo para receber um livro, podendo iniciar a leitura imediatamente e ainda sem pagar frente. Sem contar que o arquivo, claro, me custaria bem mais barato. Só que não. Na maioria dos casos, comprar o arquivo para Kindle e o próprio livro custam o mesmo ou quase isso, e embora as vantagens citadas acima realmente persistam, qual é a justificativa para o valor tão parecido? Fiquei pensando que se por um lado não se gasta com a produção em si nem com depósito, por outro lado devem ser criados novos custos para o serviço de downloads e servidores abrigando aqueles arquivos. Mas ainda assim, não me parece que os custos se equiparem, tendo em vista que serviços relacionado a armazenamento e rede, se já razoavelmente baratos para o uso doméstico, devem ser “fichinha” para grandes empresas. Além disso, por que o investimento em um novo formato se ele não trará maiores lucros?

Mas vamos supor que o preço seja esse mesmo, o que está circulando, que afinal de contas não haja tanta diferença entre o lucro alcançado antes e o agora. Ainda assim, por que parece tão difícil atribuir valor aos arquivos digitais? Pelo menos é este meu caso. Eu não consigo chegar a outra resposta além da própria cultura de posse que persiste, o ter a estante cheia, a videoteca… A coleção. Encher a casa daquilo que diz algo sobre você mesmo, emprestar, trocar, espalhar aquilo que você gosta de alguma forma. De qualquer forma, mantém as trocas a nível físico. Pelo menos a socialização ainda não totalmente virtual.

Prateleiras

*Ao som de John Mayer – Bigger Than My Body

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What comes is better than what came before

Outro dia estava lendo algumas coisas aleatórias na internet (especialmente este blog, do qual li quase tudo) e percebi como tem gente que admira muito uma pessoa – cantor/a, ator/atriz, diretor/a e por aí vai – e toma pra si a própria pessoa, admitindo querendo ser ou pensar muito igual àquele/a a quem admira.

Fiquei pensando que isso foi basicamente uma característica da minha adolescência, mas mesmo assim não sei se cheguei a ser completamente fã de ninguém. Eu admirava David Bowie, Tilo Wolf, Nicole Kidman (é, ela passava por uma boa época), citando aleatoriamente. Mas eu nunca afundei totalmente num artista a ponto de saber tudo sobre ele, discografia de cor e salteado, diálogos inteiros de filmes, detalhes da carreira ou mesmo da vida. Mas é verdade que eu admirava, ou pelo menos queria muito admirar e eleger uma pessoa com a qual eu me identificasse. Os defeitos não existiam.

E por mais que seja problemático pensar assim, ou seja, que alguém está livre de falhas, hoje eu acho que é bonito o fato de por um momento querermos enxergar apenas as coisas boas. É raro. Pelo menos agora. Com o passar do tempo não sei bem pelo que passamos que nos faz ver o outro com todos os seus problemas. Isso pode ser um problema quando não passamos a admirar mais ninguém, quando se vai com um pé atrás com todos porque já esperamos uma decepção pelo caminho. Mas também pode ser válido na medida que passamos a enxergar a humanidade de cada um. Talvez. Afinal de contas existem coisas muito legais criadas por meros mortais, tão falhos quanto qualquer outro ou como nós mesmos. Talvez isso torne a admiração maior, embora diferente.

Mas também depende se você está tendo um dia pessimista ou otimista.

*Ao som de The Velet Underground – I Found a Reason

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Money money money

E aí que todos os dias chegam idéias de posts no meu email, como parte da campanha do WordPress para escrever mais durante 2011. Normalmente as perguntas são ruins, mas às vezes uma ou outra coisa acabam despertando uma ideiazinha. É o caso deste post.

A pergunta: “What would your profession be if you didn’t need money?” (ou “qual seria sua profissão se você não precisasse de dinheiro?”). Amigos historiadores, vamos dar as mãos e rir?

Então fiquei pensando no caso contrário, isto é, e se eu não fosse para a História? Confesso que não consegui pensar propriamente em uma profissão, visto que fora estrela do rock e host de programas do Discovery Travel não consigo lembrar de nada. Pensei, portanto, em áreas de estudo promissoras, ou pelo menos mais do que a História. Cheguei à conclusão de que gostaria de ser cientista maluca, algo entre a academia e a profissão em si. Para tal, iria para a Física, área que sempre me pareceu que seria interessante se eu conseguisse entender alguma coisa.

Aí por fim concluí: nem quando eu posso escolher qualquer coisa do mundo, qualquer atividade que me faça ganhar rios de dinheiro e qualquer habilidade necessária para desenvolver a atividade eu largo o ranço da pobreza. Tá no sangue.

*Ao som de ABBA – Money Money Money

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Changes

Há dois meses atrás eu não pensaria. Era tudo um bicho de sete cabeças, como eu disse. Mas a vida está aí pra nos surpreender.

As duas massas são minhas, mas foi o da direta que eu "trancei" - o mais bonito. Há!

Pode falar, minha gente. Podem começar com os elogios. Com as exclamações de surpresa e de incredulidade também. Agora eu falo com aquele olhar de sabedoria lançado ao infinito: I have changed. Não olharei mais (tão) assustada para a cozinha, para todos os utensílios que nela habitam, para todos os ingredientes que estranhamente misturados resultam em comida.

Sinto que sou uma pessoa mais forte, mais firme, mais confiante e segura de si. Eu fiz um pão, e ninguém nunca poderá tirar isso de mim! (Independência! – Não sei, parecia que o momento pedia esse grito de emancipação.) Eu fiz pão.

*Ao som de David Bowie – Changes

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Simple Things

Esses dias me deparei com a tarefa de comprar um celular. Cabeça boa do jeito que eu sou, claro que esqueci meu celular na casa de uma pessoa que mora há duas horas daqui e eu sei lá qual será a próxima vez que eu a verei. E viver sem celular é difícil. Tem hora que é bom estar fora do raio de comunicação, mas na maioria das vezes isso atrapalha e é por isso que eu me lancei na busca de um novo celular (mesmo porque o outro já tava dando os últimos suspiros, tava caducando mesmo).

E foi nesse momento que eu comecei a enlouquecer: lembra de quando tinha apenas alguns modelos de celulares? Ou era aquele Ericsson (só Ericsson mesmo, sem Sony na frente) horroroso, ou Nokia 5120 (e o meu era o i, super revolucionário porque mandava mensagens de texto! Há!) ou um outro Nokia cromado que era pra gente com dinheiro. E era SÓ.

Agora a tarefa se tornou um martírio – câmera de 3, 5, 8 megapixels, GPS, 3G, Wi-fi (que eu confesso que é uma coisa que me atrai muito), mp3 player, touchscreen… E tem Nokia, Sony Ericsson, LG (que antes era marca de monitor e pronto), Samsung, Motorola (te odeio! Morra!)… Como eu escolho?!

Percebam, caros amigos, que eu caí mais uma vez naquela situação que eu abomino, da qual eu tenho horror, pavor e ódio profundo: a indecisão. Pessas indecisas ao nosso redor é uma coisa irritante – ser você mesmo indeciso é frustrante (gostaram da rima?). E foi aí que me lancei à busca de reviews, vídeos no YouTube e tudo mais pra ver qual modelo era melhor, qual valia mais a pena e blablabla. Só que em todos os sites os autores falavam: “depende do que você busca num celular” (eu busco falar. Muito. Pra caramba. Pelos cotovelos.), “se tal função é importante pra você, entao fique com esse, se não, pode comprar o outro que vai te servir muito bem”. Tá, mas o negócio é que eu não sei se a função x vai me fazer diferença! Então no final das contas eu tenho que… hum… glup… decidir???

E isso tudo por um celular. Imagina quando é realmente importante?

Ó, vida cruel.

PS: Ninguém aí tem uma dica, não?

*Ao som de Simple Things – Belle And Sebastian

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Who are you?

Já perceberam como em filmes e séries de tv em geral sempre tem aquele que luta contra o crime e que é atormentado por algo do passado? E que eles quase sempre têm consciência de que seus traumas do passado é que fazem com que eles sejam assim persistentes na busca da justiça?

Esclarecendo: outro dia estava eu assistindo Fringe (sim, nova série pra preencher meus vazios de séries que insistem em tirar pausas imensas entre um episódio e outro) e aí teve aquele momento drama do passado. (Não se preocupe, não é um spoiler) A personagem principal (coincidentemente chamada Olivia) conta que há muitos anos atrás, ainda criança, ela tinha tido a oportunidade de matar seu padrasto, muito mau e que maltratava a mãe. Obviamente ela não conseguiu dar o tiro final. O problema é que o bandido sobreviveu e fugiu. Olivia cresceu, tornou-se agente especial do FBI e agora procura os caras maus. E ela diz que a obsessão dela por prender os vilões é porque ela se sente responsável. Responsável por não ter matado o padrasto malvado quando ela teve chance, responsável por ter deixado um bandido escapar, um bandido que está cometendo crimes que ela poderia ter evitado… blablabla.

Oi, eu sou Olivia Dunham, agente especial do FBI, atuo em casos obscuros, amo meu trabalho, tenho traumas de infância, persigo incansavelmente bandidos, sou curiosa, brilhante... (fade out)

Confesso que fiquei chocada. Se todas as pessoas do mundo fossem desse jeito, o que seria de terapeutas e psicólogos, minha gente?!

Eu queria ser assim, como a Olivia. Já temos o nome em comum, inclusive sem acento. Queria ser assim bem resolvida, saber o por que de algumas atitudes minhas, saber o que me trava e o que me motiva, saber meus traumas, saber quais acontecimentos influenciaram minhas decisões na vida, saber o que me guia e pra onde eu vou.

E eu queria saber assim, do jeito dela, abraçando tudo aquilo como algo que faz parte da própria identidade, sem vergonhas e medos.

Eu não sei se essa tal de “jornada do auto-conhecimento” (que soa à livro de auto-ajuda) é algo que todos percorrem com sucesso, se é na verdade a crise dos vinte e poucos anos, se é idiota e eu estou dando mais importância do que deveria ter (embora ache que não) ou se é coisa de gente indecisa demais na vida.

Eu sei é que um dia eu me assustei vendo um filme no qual a personagem principal vai à uma entrevista de emprego e lhe perguntam: “E quem é Abigail Valência*?”. Porque se me fizessem essa pergunta eu simplesmente não saberia responder.

* Todos os nomes foram modificados para preservar a identidade do citado

* Ao som de The Who – Who Are You

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