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It’s a little bit funny

“Lá vêm os asiáticos com suas câmeras. Eles não aproveitam as férias, só tiram foto.”

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Não sei bem como foi quando a fotografia foi inventada e popularizada, mas a verdade é que o advento da câmera digital causou uma real mudança na maneira não só como tiramos fotos e porque as tiramos, mas também como nos relacionamos com o produto final, ou seja, a imagem.

Em uma era na qual o papel parece ter seus dias de absoluto domínio contados, é a tela – seja do computador, tablet ou smartphone – que se apresenta hoje como aquilo que nos apresenta as mais variadas experiências, vídeos e fotos inclusive. E se antes você visitava seu amigo ou familiar para ver as fotos da última viagem, agora temos a internet, que te entrega a foto remotamente, seja de maneira pessoal através de um email, ou simplesmente sendo compartilhada no Facebook diretamente para um grupo maior e variável de pessoas.

O filme não é mais desperdiçável (visto que ele nem mesmo existe) e os cartões de memória adquirem cada vez mais capacidade de armazenamento. É possível registrar de tudo, guardar tudo, ver e rever, mostrar, marcar gente, marcar lugar, criar registros cada vez mais detalhados e freqüentes sobre a nossa vida: o que vesti naquele dia, onde fui, com quem, o que comi, bebi, o começo do dia, a tarde, a noite, o gato de rua. Tudo multiplicado, porque é raro que a foto perfeita saia na primeira tentativa.

Porque quem é que quer deixar registrado esse tipo de pose?

Porque quem é que quer deixar registrado esse tipo de pose?

De repente, browseando a internet, a gente pensa: “por que diabos estou vendo esta foto?”. Não que eu tenha me deparado com nenhuma foto particularmente incômoda. Aliás, é justamente isso: o que tem aquela foto ou aquele evento de especial? Por que ele merece uma foto que deve ser não somente uma recordação pessoal, entre aqueles que participaram do momento ou que são próximos de quem ali estava, mas que deve ser colocada para toda uma rede ampla de pessoas para ser vista?

Viagens, shows… Você levanta a cabeça, olha pra frente, pra cima, e tem o real acontecendo ao seu redor, o lugar que você está (que na maioria das vezes você pagou caro para estar), mas os olhos estão na tela: a tela do check-in do Facebook, para avisar para os amigos – mas principalmente para os inimigos – onde você está; a tela da câmera com seus ajustes de zoom, flash, cores e filtros para registrar aquele momento que você nunca viveu, porque você nunca realmente viu a olhos nus aquela cena, pelo menos não sem já pensar que aquilo daria uma boa foto.

Ontem, em um show, fiquei observando o cara que estava na minha frente. (Veja bem, era impossível não observá-lo porque a) ele estava BEM na minha frente, b) ele era gigante, estilo Tropeço da Família Addams e c) porque o cara não parava de estender os braços para todos os lados com o telefone feat. câmera dele.) Sem contar os 30 a 40% do show que ele não estava presente porque tinha ido buscar tacinhas de champagne pra gangue dele, ele deve ter realmente olhado pro palco menos de um terço do tempo que estava ali. O resto era gasto olhando pra trás pra admirar o estádio, conversando e principalmente interagindo com o próprio celular.

Não eram lugares baratos (não para os meus padrões de qualquer forma), não era um show que acontece todo dia. Por que eu gastaria o tempo único daquela experiência me preocupando com o ângulo e o flash? Ou publicando na internet o que estou fazendo, onde estou?

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Outro dia li que há uma luz no fim do túnel. Algumas pessoas já se cansaram do oversharing, de acompanhar passo a passo vidas de pessoas que nem tão próximas são, de saber de cada evento e cada pensamento do outro e que o futuro das redes sociais pode desembocar em outros cantos, priorizando mensagens pessoais ao invés daquelas direcionadas a todos e a ninguém. Talvez a tentação tenha sido muito grande. De início a idéia de compartilhar algo sem nenhuma importância específica, completamente banal e trivial, parecia ser interessante, afinal de contas dava espaço para a criatividade. Fico pensando se as pessoas não começaram de repente a transformar aquilo em obrigação de informar do passo a passo ao invés de simplesmente publicar um pensamento aleatório engraçado, diferente.

E as fotos seguem o mesmo caminho, agora com a opção de editar diretamente de seu celular e transformar a foto automaticamente num polaroid de 1985.

É interessante pensar na quantidade de fotos e vídeos armazenados e quantas vezes eles são acessados. Será que a pessoa que queria tanto registrar aquilo tudo vai um dia sentar sozinha (ou com quem quer que estivesse acompanhando) para ver aquilo tudo? Eu tendo a pensar que aqueles dados vão se perder pela internet depois de uns 20 “likes”. E assim a foto terá cumprido o seu papel.

***

Eu tirei fotos também, fiz um vídeo. Não sou contra esse tipo de coisa, só não gosto do excesso. Dito isso, curti todo o resto do show e durante minhas músicas preferidas eu não estava nem pensando em câmeras – estava muito ocupada balançando os braços e o esqueleto. Também me ocupei chorando, afinal de contas era o Elton John.

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Stranger

Antes de ir pra Alemanha um monte de gente me perguntava: “Mas cara pálida, por que você quer ir pra um lugar de gente rude?”. Essa idéia de que alemães não conversam, mas brigam e por aí vai. E eu realmente estava preparada para um mar de olhares gélidos – e não foi bem o que eu encontrei.

É importante notar que eles tampouco são exemplo de amabilidade. Mas como em qualquer lugar, existem pessoas muito amáveis e outras nem tanto. Ao longo do tempo, indo e vindo (principalmente vindo, porque é de longe que a gente parece ter calma para pensar e ponderar), fui chegando a algumas conclusões.

***

– Vamos ao cinema?

– Não, obrigada, não estou com vontade.

Era assim um dos exemplos em uma das lições no livro didático de alemão. Os quatro alunos dentro de sala chocados com essa sinceridade.

***

Eu não tenho profundo conhecimento de como são as relações interpessoais nas várias regiões desse Brasil, não sei direito nem como são as coisas no interior (talvez a diferença cidade grande/cidade do interior seja maior do que entre regiões), mas falando daqui de Belo Horizonte, o que vejo são pessoas que evitam ao máximo o confronto. Eu tendo a pensar que isso seja algo de todo o país, visto a apatia a certos assuntos que são de interesse geral, falta de participação política (mas aí também entram outras coisas sobre as quais talvez um dia eu me force a escrever para organizar as idéias)…

Talvez tenhamos um sério problema em expressar nossas opiniões assumindo responsabilidade por elas, então raramente alguém vai dar aquela resposta acima a um convite, mas vai inventar uma desculpa que dá a entender que você gostaria de aceitá-lo, mas forças maiores do que você mesmo de impedem. Ninguém quer bater de frente com ninguém, todo mundo quer ser muito diplomático e agradar a todos (o que também pode ter algo a ver com o fato de que são relações interpessoais que influem muito mais no alcance do sucesso profissional e tudo o mais do que o mérito, daí a necessidade de “estar bem na fita, bro”). Talvez por isso sejamos exímios contadores de causo.

Eu acho que nunca me acostumaria com a sinceridade crua e a falta de desejo completo de ser legal várias vezes de alguns alemães. De acordo com o meio no qual fui criada, o que penso é que não custa falar num tom menos agressivo, de menos ordem. Vivi um curso extensivo e intensivo (sim, as duas coisas ao mesmo tempo) de como forçar os outros a fazer aquilo que se quer mexendo puramente com o emocional, raramente ordenando. (Mãe?)

De qualquer maneira, como estrangeira cabia a mim me adaptar e perceber que aquele jeito cru de falar alguma coisa não era uma falta de educação direcionada à mim, não queria dizer que alguém estava especialmente bravo comigo – era apenas a maneira mais sincera de dizer alguma coisa, e ainda uma maneira que não deixaria dúvidas. Se alguém está insatisfeito com algo, é comum que se diga de cara e pronto.

Precisamos de terapia. A nacionalidade inteira.

*Ao som de Noah And The Whale – Stranger

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I’m gonna get dressed for success

“Aqui nós seguimos um dress code, o que significa que você terá que vir de traje social.”

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Quando falamos de aparência, pensamos em duas coisas: de um lado, temos um grupo de pessoas que considera desleixado aquele que não se interessa por moda, de outro aqueles que classificam os que se importam com a aparência como fúteis e superficiais.

Como eu julgo as pessoas mesmo (assim como sou julgada), vou dizer logo de cara que não gosto de nenhum desses dois extremos. Porque extremos, como se sabe por aí, nunca são bons.

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“Não precisa ser terninho, não é tão rigoroso assim: uma blusa mais arrumada, calça social e sapatinho de salto.”

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Então eu comecei a me importar com o jeito de me vestir. Isso não significa que eu acompanhe revistas de moda, que tenha como ídola absoluta a Gloria Kalil nem Anna Wintour, que eu só me importe com as últimas tendências da moda (o que é isso, meu deus???), que corra pra comprar a bolsa, o sapato, a calça ou a estampa do momento. Eu vejo coisas que estão por aí e, se eu gosto, eu quero ter também.

Eu também não gosto de usar o que todo mundo está usando, mesmo que inicialmente eu tenha gostado daquele item em particular. E eu fiquei pensando nessa bobagem minha, até chegar à conclusão de que não é bobagem.

De uma forma ou de outra, o jeito de vestir diz alguma coisa sobre a pessoa. Ou pelo menos eu acho que é assim no meu caso. O maneira de vestir acabou virando uma forma de se expressar visualmente, e sinceramente eu não vejo nada de errado com isso. Eu não uso decotes, não curto salto alto nem brincos grandes. Na maioria das vezes não uso essas coisas porque não acho que me caiam bem ou, no caso do salto, porque eu gosto de conforto, mas na maior parte dos casos eu simplesmente me olho no espelho e… não tem nada a ver comigo.

O uniforme é uma medida para tentar igualar todas as pessoas, a princípio. Mas, mais do que isso, quando temos um uniforme de trabalho que não existe devido às características específicas do trabalho (como macacões, capacetes, calçados adequados), mas simplesmente por política da empresa, fico pensando nele apenas como uma maneira do empregador te dizer o que vestir e o que não vestir, de realmente possuir seu corpo e mais do que ditar onde você vai estar naquelas horas que ele te tem, mas também definir seus gestos, sua vestimenta, de fazer de você uma propaganda ambulante.

Agora, a roupa social é uma coisa que me intriga mais ainda. Porque tem mais a ver com a imagem que a empresa quer passar, e geralmente é uma justificativa de “temos que demonstrar seriedade” ou “somos uma EMPRESA”. Bem sabemos que o embrulho não dita necessariamente o conteúdo, mas a roupa social vai além – ela presume que quem a usa deve, pode ser levado a sério. Que a pessoa de terno e gravata realiza um trabalho de maneira mais competente do que quem está de Converse. Que a mulher de terninho é mais respeitável do que a de calça jeans. Em todos os aspectos o traje social visa colocar acima do resto e apenas polariza – existem dois tipos de profissionais: os bons, vestidos de acordo com a norma, e os ruins, que se vestem como querem.

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Vista-se socialmente você também e faça parte de um time de sucesso!

*Ao som de Roxette – Dressed for Success

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Walk this way

Outro dia me deparei com uma dessas notinhas em revista falando sobre as cidades brasileiras mais agradáveis para se caminhar. Aparentemente alguma organização internacional reconhecidíssima no assunto (claro) percorreu diversas capitais dando notas para as calçadas, ruas, avenidas, avaliando a experiência de ser pedestre em cada uma.

Qual não foi a minha surpresa ao ver Belo Horizonte ali, em segundo lugar. Say whaaaat?

Enquanto o Detran não vai com a minha cara, eu permaneço pedestre, e tenho sido há vinte e cinco anos. E como ônibus é caro e não se pode depender dele na maioria das vezes, eu caminho enquanto dá. Diariamente ando em média 3km em região urbana, parte em bairro, parte em avenidas. E todos os dias eu penso: “como é que caminha nessa cidade?”.

Ao contrário do que se diz em todo manual de normas de circulação e conduta, a realidade é que o pedestre é o último na lista de preferências. Você está cruzando a rua na faixa de pedestres, o sinal aberto para você, fechado para os carros. No meio da travessia seu sinal começa a PISCAR e pronto, já tem gente arrancando e buzinando. Porque o condutor está no direito dele de te ameaçar a atropelar e mesmo atravessar sinal vermelho. Não tem discussão.

Mas a notinha era sobre calçadas. E eu penso: cadê?

Em nossa cidade atualmente under construction achar lugar para caminhar está se tornando um luxo. E já faz tempo. Ali na Av. Antônio Carlos (status permanente: em obras) a preparação para a Copa do Mundo deixou todos os pedestres desabrigados. Obras da própria prefeitura, veja só. Em determinado momento a calçada simplesmente acabava e as opções eram:

a) voltar;
b) embarcar numa missão suicida em meio aos carros;
c) xingar muito no twitter.

A construção de uma rede louca de viadutos levou ao local uma armação monstruosa de ferro pela qual o caminhante passava sem nenhuma proteçao nem mesmo indicação de caminho. Era o instinto selvagem que guiava em meio àquela selva.

Mas mesmo quando a calçada existe, você não está seguro em cima dela. Toda hora sobe um carro pra estacionar um pedacinho só ali em cima, “só pra sair da rua e não atrapalhar o trânsito”, ou tem alguém entrando e saindo de estacionamento sem olhar para os lados… Ou então o meu preferido: estacionamento de lojas na calçada. E é estacionamento privativo, só para clientes, que na maioria das vezes têm sedãs que ocupam todo o espaço da calçada e é você, que vai caminhando e cantando e seguindo a canção, quem tem que desviar e ir andar na via pública.

E BH é a segunda melhor, hein.

*Ao som de Aerosmith – Walk This Way

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Falling slowly

Quem me conhece sabe que o chão e eu temos uma história de amor e ódio: ele me ama e eu o odeio. Mas o fato é que não conseguimos ficar longe um do outro, então vira e mexe eu caio.

Por outro lado, existem alguns dias que me odeiam. Foi o caso da última terça-feira. Ela simplesmente não foi com a minha cara.

Pra começar, foi o início oficial do outono. A verdade é que eu tava curtindo isso, afinal de contas a temperatura ficou amena (“amena” em BH é tipo até 27 graus, mas significa uma tarde até quente, mas com vento, e a possibilidade de usar calças e camisetas com mangas normais) e tornou-se possível imaginar a vida sem ventilador e ar condicionado. Mas como o dia foi negro, meu olhar a posteriori quer pensar que o começo do outono significou dias curtos, o que me afeta muito (post sobre clima/sol vs. humor em breve).

Bem, tudo estava bem até eu sair de casa. Pra começar o tempo fechou e iniciou-se uma leve precipitação que se tornou uma chuva das bem fortes em menos de 3 minutos. Aí as coisas começaram a desandar.

Eu tenho um sapato que é o pesadelo de todo mundo que anda a pé. (Não me pergunte porque eu o uso, já que eu sou pedestre.) Ele tem o solado extremamente liso e já me rendeu uns escorregões. Aí junta com o fato que eu preciso descer um morro* maligno. Maligo do tipo “ele quer seu mal MESMO”. Eu já comecei a pensar que aquela junção morro malvado + sapatos lisos + água + amor platônico do chão pela minha pessoa não iria dar certo, então preparei meu espírito para o pior. E de repente vem aquele escorregão dos infernos. Eu caí sentada, meu guarda chuva quebrou, fiquei toda molhada… E custei a terminar de descer o resto do caminho. Pensei até em renunciar e descer escorregando, tipo tobogã mesmo. Por fim, cheguei no final. Há alguns passos dali estava o ponto de ônibus, um paraíso coberto (pra você ver como tava a situação). Aí o ônibus passa. E passa. É. Simplesmente passou. Devagar, tomando seu tempo, o motorista virando o pescoço enquanto olhava aquela alma sem brilho nos olhos (a.k.a.: eu) acenando loucamente, a expressão mudando de feliz para “eu não acredito que ele vai fazer isso comigo”.

E pra completar eu passei mal do estômago.

* Alerta cultural: em BH “morro” não é sinônimo de “favela”, mas sim de “ladeira

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Ch-ch-ch-ch-changes

Quando você está na flor dos seus 17, 18 anos, a pergunta que te é colocada o tempo todo é: o que você vai fazer? Eu sempre interpretei isso da seguinte maneira: “que curso universitário você quer fazer?”, “o que você quer estudar?”. E eu queria estudar História.

***

Um dia uma professora (que eu considero uma super professora) estava contando da época em que ela precisava tomar esta decisão na vida. Na dúvida entre História e Ciências Sociais, o que ela fez? Resolveu ler texto acadêmicos das duas áreas. Fiquei pensando comigo mesma. Eu não tinha idéia de como era o mundo da História na universidade. Eu mal sabia como seria a universidade em si. Eu não tinha idéia de quais autores eram importantes (não sei nem se eu pensava que autores são importantes), ou mesmo do tipo de texto que eu teria que ler. Talvez eu pensasse que haveria mesmo uma espécie de livro didático que seguiríamos em cada curso, ou ainda que nos afundaríamos nos pensadores que a gente sempre lê sobre, tipo Rosseau, Voltaire, Marx. Ou mesmo que em História Antiga a gente realmente leria “A Odisséia”.

Não sei, porque a verdade é que não me lembro de realmente pensar sobre a universidade. Eu pensava bastante era no vestibular.

Eu também não sabia sobre a tal vida acadêmica. Não conhecia a diferença entre um mestrado e um doutorado ou o que eu precisaria pra chegar neles. Ou se eu gostaria de fazer isso. Eu também não entendia nada de pesquisa. Acho que sigo sendo ignorante no assunto, aliás. Mas existem pessoas que não são assim, que já entraram tendo consciência de tudo isso e que, mais do que isso, tinham se colocado uma pergunta bem diferente da minha. Elas não se perguntaram o que elas queriam estudar, mas sim o que elas realmente fariam, qual seria a atividade da vida delas – e tudo bem, a resposta é que o trabalho é mesmo o estudo.

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Por mais que as dúvidas quanto a um ofício persistam após um diploma, ainda que exista uma incerteza, é difícil deixar algo ir. Eu virei professora, embora não de História.

*Ao som de David Bowie – Changes

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Walk away

Sabe uma coisa que me irrita e irrita profundamente? Gente que quer chocar. Chocar por chocar, assim, sem mais nem menos, sem propósito, só pra ser cool. Aliás, que coisa isso de ser cool, mas vamos lá.

Por exemplo, antes eu não ligava muito pra Lady Gaga. Era do tipo “deixa ela lá cantando de maneira gaga e usando as roupas esdrúxulas”. Mas chega um ponto no qual a mídia fica tão em cima, é tanta foto, tanto comentário e tanta importância dada ao que diabos essa mulher (e tanta controvérsia até em relação a se é mulher ou não) usa, que sinceramente acho que um ser se propõe a colocar um vestido de carne porque sabe que tem público – e só. Não tem mais porque.

E enquanto a coisa tá lá, meio distante, ainda irrita menos, embora irrite. Mas quando alguém vem falar pra você coisas do tipo “Vou raspar minha cabeça. Minha tia diz que é muito libertador. Isso e matar uma pessoa.”… Dá vontade de vomitar. No mínimo. Aí só me resta sair de perto e confirmar minha hostilidade com certas coisas/pessoas mesmo. Porque embora eu seja otimista com as pessoas, não sou platéia idiota.

*Ao som de Franz Ferdinand – Walk Away

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