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Goodbye Yellow Brick Road

Lembram de fitas cassete? De áudio? Então.

Aqui em casa meu pai sempre foi o mestre das fitas: gravava um monte, músicas que a gente simplesmente não consegue encontrar mesmo neste mundo no qual a internet nos oferece… tudo. Eu segui os passos numa era já de CDs, mas sendo uma pré-adolescente sem dinheiro não podia comprá-los e portanto era adepta da técnica de deixar a fitinha no ponto, rádio ligado e quando a música toca BAM! Aquela correria pra apertar logo o rec.

Tais objetos, como é de costume quando se muda de tecnologia, já não viam a luz há tempos, escondidos que estavam no fundo de um armário. Até ontem. Ontem foi o dia de tudo isso vir à tona.

Relembrei as coletâneas compiladas pelo meu pai e que tanto tocavam nas manhãs de sábado da minha infância, lá pelos meus 3 ou 4 anos. Descobri que é dali que saiu meu amor por “Goodbye Yellow Brick Road”, Charles Aznavour e o drama latino (bem representado pela música “Ódiame” numa versão que simplesmente não consigo encontrar na web). Enfim, naquela pequena coleção de fitas estavam muitas, mas muitas mais músicas que nunca mais escutei, mas que ao ouvir me remetiam diretamente àquela época.

O melhor, no entanto, neste passeio pela trilha sonora de uma vida, foi encontrar nossas próprias gravações. Minha mãe, orgulhosa e já pensando no futuro, vai ao quarto de sai de lá com mais uma fita, uma que ela havia separado de todo o restante. Ao apertar o play reconhecemos: era uma gravação de uma música minha, composta para um trabalho de história quando eu tinha meus tenros doze anos de idade. “Lembra que você foi gravar lá no estúdio da rádio, Olivia?”. Ah, lembro. E lembro de estar com vergonha e de gravar primeiro violão e depois voz, o que pra mim foi tipo mágica. Na continuação, gravações caseiras dos mais variados estilos de música e… meu irmão. Ele devia ter seus 3 anos e cantava “me hablabla de amor…” enquanto meu pai tocava violão. Voz fininha de criança. E ali, naquele exemplar caindo aos pedaços, uma lembrança de mais de vinte anos, registro da minha própria voz quando mal conseguia falar, seguindo os pedidos de uma mamãe e um papai corujas que falavam pra filhota cantar “este era un sapito…”, “los pollitos dicen…” e “la ranita está cogita…”. E claro, recitando a poesia da estrelinha que virou uma espécia de marca registrada minha e da minha infância.

Vejo no alto uma stelinha
no céu pscano, pscano.
Mamãe disse que ela de longe psca,
psca, pisca…. é-me-cha-man-do.
Quando eu quescê
e papai me complá um avião
vou te buscaaar stelinha
na paaalma de minha mão.

E tinha todo um ritmo de recitar.

 

Pequenininha

*Ao som de Elton John – Goodbye Yellow Brick Road

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