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Gotta make home for the Homo Superior

De repente parece que virou moda falar que odeia Natal. Todo mundo detesta. Todo mundo acha que é época de falsidade, de conversar com quem você não gosta cheio de meios sorrisos.

Na minha opinião, ninguém te obriga a ser falso, nem deus, nem Jesus, por mais cristão que você seja. Se você segue as premissas de amor do cristianismo, ótimo. Mas acredito que quem realmente o faz, é assim o ano inteiro, o tempo todo, e quem faz um esforço tão enorme pra arredar os cantos dos lábios pros lados das orelhas à medida que o dia 25 de dezembro vai chegando… Bem, essa pessoa não é assim tão religiosa, ou talvez tenha uma idéia um pouco diferente do que é sua própria fé.

Mas não estou aqui pra falar sobre seguir desta ou daquela maneira o cristianismo. Como já deu pra perceber pelos vários posts deste mês, eu curto o Natal. E acho que é desnecessário dizer, mas estou longe de ser religiosa, muito menos cristã. É verdade, fui criada no na Igreja Católica. Fui batizada, freqüentava a missa todos os domingos, coroava todos os maios, acompanhava as procissões da semana santa e fiz primeira comunhão. Nada disso obrigada, sempre fui com gosto – só não sei se por fé também, já que eu era pequena. Fui assim até por volta dos 11 ou 12 anos. Eu lembro de começar a ler “As Brumas de Avalon” e a mudança que isso me provocou. Foi desde então que passei a ver essa Igreja entidade, a tomar conhecimento da existência de outras religiões e a perceber que nenhuma delas era menos válida que outra, que todas tinham sua lógica interna e que os seguidores tanto de uma quanto de outra poderiam ser extremistas ou pacifistas. O que eu quero dizer é que não sou contra religiões, elas podem ser bonitas tomando o devido cuidado.

Voltando ao assunto: eu gosto do Natal. E não porque é uma celebração religiosa cristã (é, vamos lembrar que as datas mais importantes do calendário cristão  – páscoa e natal – são uma mistureba com religiões pagãs). O Natal para mim não significa comemorar o nascimento do menino Jesus, Maria dando a luz no estábulo ou os três reis magos vendo a estrela guia e trazendo seus presentes. Eu sempre vi o Natal como uma época de estar com a família, com quem você ama, com quem é importante. É época de presentear (e já disse aí no outro post o que eu penso dos presentes), de pensar nos outros, de pensar um pouco mais sobre você mesmo… E você pdoe argumentar que isso pode ser feito em qualquer época do ano. Sim, também acho. Mas o fato de que fazemos (ou pelo menos eu faço) nesta época, agora, não torna tudo isso menos válido. É bom que ainda exista este período em que tanta gente ainda tome este tempo para tais coisas, seja em que mês for.

Então aí está porque eu gosto de Natal: as pessoas estão mais dispostas a ser gentis, tomamos tempo pra família, pra estar junto, pra experimentar receitas, decorar a casa, para escrever um cartão, mandar uma mensagem para alguém distante ou que não vemos há tempo e nos falta a desculpa pra mandar um “oi”, pra sair na busca de um presente pra agradar quem a gente gosta. Enfim, a gente fica ansioso pra demonstrar o amor.

*Ao som de David Bowie – Oh! You Pretty Things

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All I want for Christmas

E um feliz Natal pra você!

Outro dia estava numa dessas confraternizações de fim de ano e sempre tem aquele momento em que um pega o microfone pra passar aquela mensagem que supostamente vai fazer você refletir bastante e mudar sua maneira de pensar pra sempre – ou pelo menos vai te levar a pensar a mudar a maneira de pensar. Quando a situação em questão é num entorno religioso, então a pretensão de uma mensagem profunda é ainda maior.

Nesta semana o que escutei foi uma idéia sobre o presente, o Natal e, claro, sobre o presente de Natal. A pessoa listou três motivos pelos quais gostamos de ganhar presente: 1) nos faz feliz (bem, achei isso um tanto quanto genérico, né), 2) nos satisfaz uma necessidade e 3) nos sentimos amados. Para todos os motivos, no entanto, o cara colocava uma razão do porque aquilo não era duradouro: a felicidade passa, a necessidade passa, se a pessoa não nos dá todo Natal um presente igual ou melhor, quer dizer que ela deixou de nos querer. Claro, ele terminou falando que o grande presente de Natal que temos que comemorar todos os anos é o presente de deus, que nos deu seu filho e tal.

Eu discordei de tudo e fiquei pensando porque eu gosto de presentes. Ganhar presente é legal mesmo por às vezes ser algo que queríamos muito e não tínhamos como comprar/conseguir, ou por ser uma coisa legal na qual nunca tínhamos pensado… Mas eu gosto de ganhar presentes não por causa do presente em si, mas por causa da pessoa. Eu fico pensando que aquela pessoa saiu do seu caminho pra ir me fazer um agrado, ou que ela viu algo na prateleira e se lembrou de mim, que ela estava disposta a me dar um pouco do tempo dela, lembrando de mim. E isso eu acho legal. Muito legal. E se no ano que vem não tiver mais presente daquela pessoa, não tem problema. As pessoas não têm que ficar grudadas para sempre umas às outras e o fato de que hoje uma amizade não existe mais ou existe em menor intensidade não quer dizer que o que aconteceu antes é menos válido.

E por fim eu pensei que sim, gosto de ganhar presentes, mas eu também acho legal (e talvez mais legal ainda) dar um presente. E talvez eu não seja a melhor pessoa do mundo para escolher algo para outra ou para escrever cartões, mas eu gosto de preparar e gosto de saber que acertei e que se não dei um super presente, pelo menos fiz uma alegriazinha pra outra. Porque presentes são para aqueles que a gente gosta e eu gosto de ver as pessoas queridas alegres.

Enfim, talvez soe brega, mas é o que eu acho sobre presentes.

*Ao som de Onda Vaga – Ir al Baile

P.S.: A saga final da maratona de filmes de Natal ainda sairá, I promise.

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Last Christmas I gave you my heart

O título é só porque essa porcaria está na minha cabeça já que todas as lojas estão tocando isso. É impressionante. TODAS as lojas que eu entrei. E olha que no Brasil sempre tivemos a tradição insuportável de só ouvir “Então é Natal” by Simone. Mas enfim.

Maratona de filmes de Natal!

(Parte 3)

Raras são as continuações que valem a pena, não é? Não estou levando em consideração filmes que simplesmente têm sua história dividida em mais partes (“Senhor dos Anéis”, “Harry Potter”…), mas somente aqueles que tiveram uma continuação inicialmente não planejada. Bem, “Home Alone 2: Lost in New York” (1992) é uma continuação legal. Mas assim, é mais do que você espera de uma continuação, poderia ter feito sucesso como filme independente da franquia, mas não é lá graaaande coisa. Eu acho. E principalmente porque eu acho que exageraram nas partes cômicas (sabe aquela coisa de gente gritando olhando pra câmera de desespero, tudo muito ensaiadinho? Pois é.). Mas enfim, legal. Acho que Nova York tem um apelo grande, né, pros americanos e pro mundo.

Um filme que eu nunca tinha visto é “Miracle on 34th Street”, a primeira versão, de 1947. Achei engraçado que quando eu estava assistindo meu irmão passou e disse: “- Nossa! Que filme velho! Deve ser da década de 70!” Oi? Noção de tempo e história mandou lembranças. Mas o problema mesmo foi que pra ele os anos 70 são algo tão distante quanto pra mim, sei lá, os 1940. Ou talvez ele considere mais distante ainda. Ou talvez eu goste de coisas velhas e ele não, só isso. Bem, o filme. Como já tinha visto a versão “nova” (ainda pode considerar anos 90 novo?), fiquei mais prestando atenção nas mudanças. Devo dizer que a adaptação foi muito bem feita, quero dizer, conseguiram fazer a história atual de uma maneira não forçada. No entanto, prefiro o primeiro. Me pareceu uma história de relações e situações mais reais, mais prováveis. E fiquei muito pensando na mulher (a mãe da menininha que não acredita em nada) trabalhando e tendo um cargo importante na década de 40. Fiquei pensando se isso era algo novo, se aqui no Brasil também era assim… Não sei bem porque, mas talvez eu tenha uma imagem distorcida de que antes não se podia fazer absolutamente nada quando se era mulher. Mas talvez isso tenha mesmo a ver com o lugar, afinal de contas Nova York já tinha solteiras morando sozinhas há bem mais tempo, não é?

E não sei bem porque, mas decidi que “Bridget Jones’ Diary” (2001) também deveria entrar na maratona. Bem, a história começa e termina nas festas de fim de ano, então é apropriado – acho. Não vou entrar na história mesmo porque isso rende muita conversa de mulherzinha, então vamos somente às partes festivas: engraçado isso dos britânicos de almoço de Natal na casa dos vizinhos, né? Quero dizer, não sei bem se é assim mesmo, mas parece que ninguém tem muito problema em passar o dia 25 com pessoas que não são necessariamente a família. Fiquei também pensando nesse campo inglês, que sinceramente parece parado no tempo. Não dá pra ver muita diferença nos filmes que retratam a época atual e o século XIX – mas também os atores são sempre os mesmos…

Estamos quase no final…

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I feel it in my fingers

Maratona de filmes de Natal!

(Parte 2)

Bill Murray, não sabemos bem porque, tornou-se um ídolo do pessoal cult, não é mesmo? Particularmente eu gosto muito dele e dos filmes leves e mesmo bobos que inexplicavelmente se tornam mainstream (tipo “Groundhog Day”, que eu vi dublado num dia qualquer na Band, adorei, e depois fui descobrir que era um filme adorado por muitos). E aí que descubro que Bill Murray não apenas está em um dos filmes de Natal mais citados das listas buscadas, como ainda por cima o filme é uma adaptação para os tempos modernos de uma das histórias mais lindas de todos os tempos e a qual adoro desde pequena: Um Conto de Natal. “Scrooged” (1988) é isso: um Ebenezer Scrooge da atualidade (ou o quão atual os anos 80 podem ser), com os fantasmas do Natal passado, presente e futuro. Particularmente se tornou um favorito meu. A história de Scrooge não é uma sobre o insight maravilhoso que acontece com todas as pessoas durante a época do Natal, mas apenas aproveita a época para refletir sobre quem você se tornou, o que gostaria de fazer… E eu acho isso válido. É um homem pensando sobre sua vida e tendo a coragem para mudar.

Também na lista dos mais queridos está “Love, Actually” (2003), que também me lembro de ter ido ver no cinema, esperando que o amor acontecesse em forma de beijo com o menino que foi comigo. (Não, não aconteceu.) Acho que todo ser já viu este filme, é um daqueles que vira e mexe está passando em algum canal, mas vamos lá: são várias histórias paralelas, todas as pessoas têm alguma conexão entre si. Eu gosto particularmente da história do menininho que acabou de perder a mãe e vive agora com seu ótimo padrasto – e está perdidamente apaixonado. Também é legal a do casal que se conhece fazendo um filme pornô, e ainda a do cara que ama a recém-esposa de seu melhor amigo. Essas histórias não estão apegadas a nada de mágico em torno do Natal. Sem Papai Noel, ou espírito natalino, ou pessoas que estão extremamente envolvidas com o fato de que a noite do 24 e o dia 25 de dezembro são extremamente especiais. São apenas histórias de diferentes tipos e manifestações de amor.

E o que acabo de ver (mas não é o último da lista!) é o super clássico da infância, já mencionado no post do ano passado: “Home Alone” (1990). (Estou colocando os títulos em inglês porque é assim que está por aqui e já comecei assim, então vou até o final, ok?) Este eu também vi no cinema quando era beeeeem criancinha. Tinha uns quatro anos. Sempre me lembro da abertura, com o fundo preto e a casa azul surgindo com o título do filme. Eu não sei se a maioria das pessoas tiveram isso, mas eu sempre fui ver esses filmes quando criança e meus pais sempre fizeram o esforço de me dar uma infância de verdade, mas acho que eles nunca tiveram a real dimensão do que significa para uma criança ver coisas como um garoto sozinho em casa, numa casa ENORME e cheia de coisas legais. Era uma visão paradisíaca. Fora a série de aventuras e o circuito de desafios que ele montou para os ladrões (Joe Pesci, você é brilhante!). “Esqueceram de mim” foi absolutamente um filme da minha infância. Eu assistia meu VHS sempre e a cada ano, quando passava na televisão (fosse Sessão da Tarde, Tela Quente ou aquele de domingo), lá estava eu a postos, acompanhando cada fala, vibrando e chorando como se fosse a primeira vez que via.

Todos os filmes desta sessão entram de alguma forma para o rol dos favoritos: “Os fantasmas contra-atacam” (sim, o título em português virou isso) pela ótima adaptação encabeçada por Bill Murray, “Simplesmente Amor” pelo… amor, e “Esqueceram de mim” por ser um eterno clássico, senão para toda a minha geração, pelo menos para mim.

Ainda não acabou…

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Oh give us some figgy pudding

Ao contrário do ano passado, quando nem percebi o mês de dezembro passar, neste ano resolvi eu mesma criar todo o clima de Natal. Pra mim isso significa ver todos os filmes que sempre foram referência na minha infância. Sim, porque eu tive uma daquelas infâncias cheias de Papai Noel, cartinhas, músicas, desenhos animados… Enfim, eu sempre curti tudo isso. Assim, resolvi que faria uma…

Maratona de filmes de Natal!

(Parte 1)

Comecei listando todos os filmes legais dos quais eu me lembrava e procurando pela internet outros considerados clássicos mas que eu nunca havia visto. O primeiro da lista, aparentemente tido como um clássico, foi “A Christmas Story” (1982), que conta a saga de uma criança desesperada para ganhar de presente um rifle de brinquedo. Se você já acreditou em Papai Noel e já ficou esperando ansioso pra ver o que estaria embrulhado em seu nome debaixo da árvore, então é fácil se identificar com o menino. Claro, eu nunca cheguei aos extremos dele, mas ainda assim, o mundo sob o ponto de vista de uma criança é no mínimo bonito e engraçado (e sincero).

Em seguida parti para outro da lista que na verdade nunca tinha pensado em assistir, visto que é com um dos atores que eu menos gosto do universo, Will Ferrel (sem contar com “Stranger Than Fiction”, que deve ser um dos roteiros mais legais por aí). Eu nunca fui fã do estilo palhaço de humor (tirando Jim Carrey, mas ele é outra coisa), mas até que este tem seu lugar em “Elf” (2003), que é sobre um elfo da fábrica do Papai Noel que descobre ser na verdade adotado – e humano. Vai então em busca de seu verdadeiro pai em NY, mas tem que enfrentar as pessoas que não acreditam no Natal e no espírito natalino.

Engraçado, aliás, como os filmes sobre Natal sempre revolvem em torno deste tema: acreditar. Eu juro que fico tocada, porque acho mesmo que as pessoas são muito práticas na maioria das vezes, fazem o óbvio e tal. Mas não deixa de ser curioso a retomada constante no “acreditar”. É justamente o tema de “Miracle on 34th Street” (1994), que é um remake do filme de 1947 (o qual aqui aguarda ansioso para ser visto). Nele, uma menininha precoce não acredita em Papai Noel, mas é surpreendida pelo novo contratado pela loja de departamentos na qual sua mãe trabalha, que parece muito com o real Papai Noel. E aí tem toda a trama que gira em torno de ter fé e por aí vai. Se querem saber, eu acho uma gracinha! E é engraçado porque me lembro de ir pequenininha ainda assistir a este mesmo filme no cinema, na época do Natal, no Rio, com dois primos meus. Acredito que foi no Natal que ganhei meu Super Nintendo (e este episódio, aliás, merece um post solo).

To be continued…

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