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The Killing

Nos últimos dias fiquei afundada nos vinte e seis episódios desta série. Devo dizer que já é um final feliz o fato de eu ter sobrevivido sem entrar numa depressão feroz.

Como o próprio título já diz, a série envolve tudo o que diz respeito a um assassinato: os investigadores, a família e mesmo a vida da adolescente morta, que só é mostrada através das pistas que ela deixa de si. Aliás, fiquei lembrando de Twin Peaks (uma que eu preciso ainda terminar), que tem uma trama parecida: uma jovem amada por todos ao seu redor, com uma vida perfeita (ou perto disso). Ao longo das investigações, no entanto, vários segredos são descobertos, segredos não só da vítima, como de todos que fazem parte de seu círculo.

Fiquei pensando como todos têm segredos, ou talvez não necessariamente segredos, mas coisas que contamos apenas para uma ou outra pessoa, ou que decidimos não mencionar com ninguém. Não porque é algo cabeludo e de outro mundo, pode parecer ter pouca importância. Claro, até o momento em que tem.

As emoções dos personagens e as implicações de um assassinato nas vidas daqueles que ficam são tratadas de uma maneira pessimista mas real. Acredito que isso seja mérito das raízes nórdicas da série, originalmente dinamarquesa (Forbrydelsen). Pelo que já vi de produções nórdicas, o tato para lidar com emoções humanas é inigualável – e bastante depressivo. As reações da família ao saber da morte, como cada um lida com o fato e a ausência de um comportamento bom ou ruim, ou melhor, impossível de ser julgado, me levaram a ficar pensando na imprevisibilidade e fragilidade das relações e do fator emocional de cada um.

Não apenas o lado pessoal da família é mostrado, como também o dos detetives investigando o caso, como eles se envolvem e as conseqüências disso para a própria vida e família. Há ainda um terceiro grupo sendo acompanhado, o dos políticos e sua disputa pela prefeitura de Seattle.

Aliás, bela escolha de localidade para passar a atmosfera sombria da série. Já não bastasse os conflitos emocionais e as dores vindo à tona, o ambiente fica ainda mais carregado com aquela profusão de cinzas e a constante chuva, parece tirando o lugar de qualquer otimismo.

Por fim, o que parece ficar é que é complicado falar de fechamento, é difícil apontar um único culpado, uma única pessoa má, ou mesmo determinar aquela pessoa como má ou boa. O que as pessoas estão dispostas a fazer para conseguir o que querem, qual desilusão vai ser suficiente para derrubar alguém ou fazê-la desistir de todos os seus ideais, quais segredos guardar, quais contar. É um mundo sem respostas.

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Lend me your ears and I’ll sing you a song

Eu já disse por aqui que eu curto usar óculos. E eu uso óculos grandes, vermelhos, armação grossa. Escondem bastante a cara.  Há tempos, no entanto, deixei de pensar nos óculos como um indicador para pessoas que lêem/estudam muito, que passam muito tempo jogando video-games… Quero dizer, pra mim ter óculos de grau na cara passa longe de estar relacionado com nerdice (algo que nem vou comentar, mas já é algo que não tem muito mais um significado).

***

Hoje estava eu cumprindo meu projeto de ano novo do ano passado: fui a aulas de legislação. Comecei esta semana, então tinha feito só algumas poucas horas e hoje era dia de enfrentar cinco horas de simulados. Enfim, o fato é que depois de tentar resolver dois deles, eu já havia passado bastante tempo lendo coisas naquele caderninho maléfico, assim que ao terceiro eu consegui acertar 22 de 30, o que significaria vitória minha sobre o DETRAN. Mas ok, não estava pensando nisso (não sei no que estava pensando – estava pensando?), mas eis que um outro aluno pergunta meu resultado e diz:

– Também, né. Nerd!

Agora, vamos pensar. POR QUÊ? Porque eu sinceramente fiquei sem entender. Nunca conversei com a pessoa, que não sabe nem meu nome, o que eu faço, de onde venho, de que família eu sou… muito menos se estudo, quanto estudo. E de repente vem com essa afirmação assim, sem um pingo de dúvida. Minha reação normal em situações como essa, claro, é o estado de choque, que consiste em: dar uma risada sem graça, me abster de emitir qualquer comentário e voltar às atividades com uma feição que demonstra normalidade para quem observa, mas que na verdade esconde um emaranhado de pensamentos confusos. E eu fiquei lá pensando o que da minha aparência (porque só podia ser questão de aparência) transmitia “nerd”.

E aí eu lembrei. Óculos. Desde tempos imemoriais os óculos são acessório fundamental para retratar aquele(a) não popular, que é desligado da aparência em favor de atividades como ler quadrinhos, livros de não-ficção ou de ficção científica (que podem ser considerados por alguns como não-ficção, já que seriam a realidade do futuro), jogar xadrez, etc. Também serve para aqueles que não curtem (nem são bons em) esportes e sofrem de alergias. Geralmente tais pessoas tiram boas notas.

***

Como Peter Pfeiffer, melhor amigo de Kevin Arnold na série “Anos Incríveis”, bem colocou num dos primeiros episódios, eles estavam perdendo Winnie para os cool kids e era tudo porque ela tinha passado para as lentes de contato.

Óculos não são cool.

*Ao som de Joe Cocker – With a Little Help From My Friends

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Who are you?

Já perceberam como em filmes e séries de tv em geral sempre tem aquele que luta contra o crime e que é atormentado por algo do passado? E que eles quase sempre têm consciência de que seus traumas do passado é que fazem com que eles sejam assim persistentes na busca da justiça?

Esclarecendo: outro dia estava eu assistindo Fringe (sim, nova série pra preencher meus vazios de séries que insistem em tirar pausas imensas entre um episódio e outro) e aí teve aquele momento drama do passado. (Não se preocupe, não é um spoiler) A personagem principal (coincidentemente chamada Olivia) conta que há muitos anos atrás, ainda criança, ela tinha tido a oportunidade de matar seu padrasto, muito mau e que maltratava a mãe. Obviamente ela não conseguiu dar o tiro final. O problema é que o bandido sobreviveu e fugiu. Olivia cresceu, tornou-se agente especial do FBI e agora procura os caras maus. E ela diz que a obsessão dela por prender os vilões é porque ela se sente responsável. Responsável por não ter matado o padrasto malvado quando ela teve chance, responsável por ter deixado um bandido escapar, um bandido que está cometendo crimes que ela poderia ter evitado… blablabla.

Oi, eu sou Olivia Dunham, agente especial do FBI, atuo em casos obscuros, amo meu trabalho, tenho traumas de infância, persigo incansavelmente bandidos, sou curiosa, brilhante... (fade out)

Confesso que fiquei chocada. Se todas as pessoas do mundo fossem desse jeito, o que seria de terapeutas e psicólogos, minha gente?!

Eu queria ser assim, como a Olivia. Já temos o nome em comum, inclusive sem acento. Queria ser assim bem resolvida, saber o por que de algumas atitudes minhas, saber o que me trava e o que me motiva, saber meus traumas, saber quais acontecimentos influenciaram minhas decisões na vida, saber o que me guia e pra onde eu vou.

E eu queria saber assim, do jeito dela, abraçando tudo aquilo como algo que faz parte da própria identidade, sem vergonhas e medos.

Eu não sei se essa tal de “jornada do auto-conhecimento” (que soa à livro de auto-ajuda) é algo que todos percorrem com sucesso, se é na verdade a crise dos vinte e poucos anos, se é idiota e eu estou dando mais importância do que deveria ter (embora ache que não) ou se é coisa de gente indecisa demais na vida.

Eu sei é que um dia eu me assustei vendo um filme no qual a personagem principal vai à uma entrevista de emprego e lhe perguntam: “E quem é Abigail Valência*?”. Porque se me fizessem essa pergunta eu simplesmente não saberia responder.

* Todos os nomes foram modificados para preservar a identidade do citado

* Ao som de The Who – Who Are You

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Lost!

E que bonito! Coldplay tem uma música que se encaixa perfeitamente pra falar da série super bombante Lost. Curiosamente, eu comecei a assisti-la no começo de 2007, quando estava na Alemanha. E agora, novamente habitando a terrinha da batata, presenciarei a última temporada dessa saga de mistérios.

O legal de Lost é que tudo parece ter uma explicação lógica. Parece porque obviamente todas as respostas serão dadas apenas agora, mas realmente não acredito que a coisa recaia num clichê sobrenatural e sim que, no final das contas, vamos ter um esclarecimento mais científico.

Tudo isso pra falar que estava eu fuçando pra lá e pra cá e me deparei com uma lista feita pelo pessoal do Dude, We Are Lost!, indicando os 10 episódios pra rever antes da estréia da 6ª temporada. Claro que eu fui correndo baixar tudo e minha meta é gastar mais umas nove horas de vida vendo episódios que eu já vi (o quê? Estudar? Ahn?). Tudo pelo bem de uma sexta temporada bem assistida, com (quase) tudo fresco na memória.


*Ao som de Coldplay – Lost!

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Somebody To Love

Pois é. Vai chegando dia 12 de junho e de repente tudo o que se vê são propagandas de amor. Corações, flores, chocolate, muito vermelho… Um saco. Aí me vem a propaganda de “especial semana dos namorados” do Warner Channel. A equipe de programação brilhante bolou algo totalmente inesperado: uma semana inteira de filmes românticos! Oh, que inesperado! E então fiquei pensando: namorados assistem essas coisas? E juntos ainda por cima? Que eu saiba não. A meu ver esses romances água com açúcar têm e sempre tiveram um público muito específico: solteiras. Fora que NENHUM casal vai ficar na frente da televisão pra assistir um filme bobo e tosco que passa pelo menos duas vezes por mês na tv.

Portanto chego à conclusão de que o dia não é “dia dos namorados”, mas dia de lembrar as solteiras que elas não estão dentro das normas da sociedade – isto é, não estão num relacionamento. O engraçado é que passa um milhão de imagens, seja na internet, em cartazes, outdoors e tv, e em todas tem um casal apaixonado, se derretendo um pelo outro. A realidade é totalmente esquecida. Ninguém lembra que namoro/casamento é cheio de brigas, que se enfrenta um mundo de problemas, que se renuncia a tanta coisa, que se agüenta tanta coisa… O “amor” é vendido como qualquer outra mercadoria. E a gente fica doida atrás, querendo também.

*Ao som de Queen – Somebody To Love

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Don’t you get me wrong

Até Jesus (Christ Superstar) ouviu isso. (E dessa vez não é a minha velha piadinha com o nome do *ahaam!* Senhor – essa frase está realmente numa canção do musical.) A frase implica, no entanto, que você inevitavelmente vai ouvir algo que não quer, pois vem acompanhada do odioso “mas”: “Não me leve a mal, mas…”.

Eu poderia discorrer longamente sobre a crueldade do “mas”, mas (ops, lá vem ele!) não estou com vontade de ficar filosofando. Bem, desta vez o uso dele nem foi cruel, visto que eu não suponho que muitas pessoas (do número reduzido de habitantes do planeta Terra – ou não – que lêem este blog) estejam realmente interessadas na idéia por trás do “mas” a ponto de se sentirem mal pelo fato de eu não prolongar a discussão, o que acaba com o fator crueldade nesta particular situação.

Mas (!) e se alguém quisesse saber a minha opinião sobre o assunto? Bem, então eu me empertigaria, feliz da vida por algum ser levar em consideração o que eu falo, e diria: … Bem, eu não sei exatamente o que diria, mas (!!) tenho certeza que assumiria alguma posição radical – ou não.

E à você que usa o “mas” a torto e a direito: don’t you get me wrong, mas (!!!) você está apenas fugindo da sinceridade. E don’t you get mw wrong: eu também não sou fã da sinceridade escancarada.

*Ao som de Carly Smithson – Superstar

E vocês ficam com a canção título do meu post:

Musical:

E a versão que eu escuto sem parar e não me sai da cabeça (sim, eu tenho visto muito American Idol):

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“Más que nada”, o Grammy precisa ir pra “rehab”

Ontem foi o dia da festa da música: os Grammy Awards. Tá, eu sei que falar “festa da música” é totalmente canal E! Entertainment Television, mas é que eu ainda estou superando minha overdose de “WHO you’re wearing?” e outras perguntas de igual importância para o mundo musical.

Na falta do que fazer num domingo à noite, lá fui eu ver as entrevistas do Red Carpet e… F-R-U-S-T-R-A-Ç-Ã-O. Porque, alô-ow!, pra que mais serve um canal de fofocas a não pra criar polêmicas? Fiquei totalmente decepcionada com os críticos da moda que, amégas, nada tinham a criticar! Será inibição?

Enfim, quem não estava inibida mesmo era a tal da apresentadora estrelinha, a tal da Giuliana Depandi, que agora que casou é Giulana Rancic – mas quem quer saber? Aparentemente ela (e somente ela) achava que todos os convidados (os de verdade, os que mais precisamente entravam pra assistir a, aham, “cerimônia”) estavam absurdamente interessados na vida pessoal dela. Ela praticamente dava entrevistas. A melhor parte foi quando ela encontrou pra bater um papo de amigas com a Fergie. Ela tava contando sobre a vida dela e dando dicas de como planejar uma cerimônica de casamento! Agora imaginem a cara da Fergie. Ela já sofre com a falta de movimentos faciais devido ao botox, mas escutando aquela baboseira toda, ela tava simplesmente paralisada. Pensando bem, ela podia andar com um fone de ouvido com a Giuliana “Whatever”, assim quem sabe as cordas vocais dela também parassem…


Embora o programa tenha me parecido um fiasco (também é a primeira vez que eu vejo os “arrivals” das “stars”), foi “más que nada” ver a Fergie naquele estado. E, claro, a cara fingida e visivelmente ensaiada de surpresa que a Amy Winehouse fazia. Se bem que, pensando bem, pode ser efeito das drogas (que a Amy, diga-se de passagem, deve ter dado pros júris do Grammy). Rehab pro Grammy!

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