Arquivo da tag: viagem

Your country

Viajar sozinha é incrível: liberdade, momentos mais introspectivos para refletir sobre a vida… Mas o melhor mesmo é conhecer várias pessoas de várias partes do mundo com as mais diferentes histórias. Estando sozinha(o) você se abre mais para falar com os outros e acaba descobrindo pessoas incríveis.

No entanto, nos últimos dias peregrinando tenho percebido três tipos de estrangeiros: os turistoes, os mochileiros wannabe e os verdadeiros viajantes mochileiros. Creio que o tipo turista clássico dispensa explicaçoes: nao é nada mais nada menos do que aquele que se atém a tudo fabricado para estrangeiros, nao se move fora do centro turístico e faz a alegria das agências e seus pacotes.

As outras duas classes, no entanto, podem muito facilmente passar por uma só, e a bem da verdade apenas durante esta viagem consegui distinguir melhor essas categorias. Tanto o mochileiro wannabe quanto o true viajante podem estar na estrada há meses, as vezes até anos, sem perspectiva de quando parar e com destino a lugares pelo menos um pouco inóspitos. Eles carregam mochila, várias vezes deixam crescer uma barba e na América Latina trazem abrigos de la com motivos locais (lhamas e por aí vai). Uma ou outra coisa os diferencia na aparência, mas nao é muito aconselhável confiar somente nela para diferenciar os dois tipos. É o estilo de viajar que diz muito sobre cada um. Enquanto o wannabe se atém a hostels dirigidos por outros europeus (ou pelo menos num estilo bastante similar), os true preferem ambientes sobretudo baratos, que tenham uma cozinha e um espaço comum para interagir com outros hóspedes. Esse talvez seja um dos pontos cruciais: o quao “real” é a experiência desejada naquele país e naquela cultura. Porque conhecer um país fisicamente nao significa conhecer sua mentalidade – e conhecer uma mentalidade pressupoe despir-se de preconceitos e aceitar a diferença, sem classificar um modo de viver como “melhor” ou “pior”. O wannabe, no entanto, parece querer recriar a cada lugar que chega uma pequena versao de seu mundo. Por outro lado, os true aparentemente tendem a querer fugir do mainstream, preferindo aquilo que está fora do fiel companheiro Lonely Planet.

Enfim, falando concretamente do que tenho visto: americanos e ingleses (sobretudo) se procuram, ficam em hostels onde sabem que se encontrarao e, assim, evitam ao máximo o contato com os diferentes. Além disso, parecem ter outra idéia de viagem, fazendo dela apenas uma desculpa para beber e fazer festa todos os dias (há pessoas que passam o dia dormindo e acordam apenas a tempor de ir para o bar – o bar do hostel).

Uma mochila nas costas e tempo de estrada, portanto, nao caracterizam um verdadeiro viajante.

*Ao som de Gogol Bordello – Your Country

Anúncios

2 Comentários

Arquivado em Uncategorized

Bolivia

Hoje é o meu quarto dia em La Paz – essa cidade de clima louco e muito chuvosa durante o verao.

Parece que as coisas nao mudaram muito desde a última vez que pisei aqui, há dezoito anos atrás – os microbuses continuam os mesmos (e devem ser o mesmo desde os anos 60, pelo menos), as cholitas seguem com sua vestimenta clássica (como o fazem desde a época colonial), o espanhol ainda parece o mais claro do mundo e os Andes, claro, continuam lá, eternamente nevados. Mas nao foi isso que me fez sentir em La Paz. Foi o cheiro.

La Paz (ou talvez a Bolivia) tem um cheiro característico que nao sei de que é. Só sei que me lembra infancia, família, frio, Andes… Me lembra aqui. E é por isso que no momento que eu senti o cheiro me senti realmente em La Paz.

Aliás, é engraçado essa coisa da memória olfativa. Eu detecto cheiro de Natal, cheiro de novembro, de Bolivia, da minha mae quando eu tinha uns seis anos, da minha mae sempre, dos tempos que eu coroava, de Natal na Alemanha… Para mencionar poucos, porque agora nem me lembro de tudo. Me vem à cabeça um livro do Gabriel Garcia Marquez, “O enterrro do diabo”, quando pela primeira vez vi que memória olfativa era algo comum a todos.

Alguém aí também se lembra de algo específico (uma época, uma pessoa, uma ocasiao…) com um cheiro?

*Ao som de Kesha porque é o que está tocando aqui, mas na minha cabeça estava tocando Los Kjarkas – Bolivia

1 comentário

Arquivado em Uncategorized